''Vamos construir uma candidatura para 2012 até com Kassab''

Com bom trânsito entre alckmistas e serristas, Beraldo defende esforço por aliança forte e busca de candidato competitivo

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Ex-secretário de Gestão de José Serra, atual secretário da Casa Civil de Geraldo Alckmin. Sidney Beraldo, diplomático e com bom trânsito nas duas alas do PSDB, põe panos quentes em uma eventual crise entre serristas e alckmistas e, no meio do fogo cruzado, já busca saída pacífica para a indicação de um candidato à Prefeitura de São Paulo em 2012. Em entrevista ao Estado, Beraldo afirma que Alckmin pretende indicar um nome do PSDB para concorrer ao cargo. "Se formos inteligentes, vamos construir uma candidatura junto até com o prefeito (Gilberto) Kassab para manter nossa aliança." O prefeito é apadrinhado político de Serra.

Como o sr. viu a representação da procuradoria eleitoral contra a prestação de contas da campanha do governador?

Já existe um entendimento do STF que naquele caso a empresa (UTC, considerada uma concessionária de serviço público pela procuradoria) pode ser doadora. Foi uma interpretação equivocada e vamos nos defender.

O sr. vê o governador mais candidato à reeleição ou ao Planalto?

É muito cedo. O Geraldo é candidato a fazer um bom governo em São Paulo. Está muito motivado. A impressão que se tem é de que ele saiu para tomar um café e voltou mais animado. O futuro a Deus pertence.

Depois das eleições de 2008, a relação entre Alckmin e Serra se deteriorou. Como está hoje?

Não é verdade. Convivo com os dois há quase 30 anos. O episódio de 2008 está ultrapassado. Em 2010 fizemos uma campanha juntos, bastante integrados. O Geraldo deu uma demonstração extraordinária de que é realmente o líder político que deve ser. Entrou com toda força na campanha do segundo turno.

E a relação com Gilberto Kassab? Eles se enfrentaram em 2008 e vão conviver por dois anos.

Eu coordenei a campanha do Geraldo em 2010 e o Kassab foi parceiro. Deu uma contribuição importante. Fomos vitoriosos aqui na capital, tanto o Geraldo como o Serra. E a colaboração agora entre o governo do Estado e prefeitura é total. Já temos agendadas até o fim do mês reunião com secretários que estão envolvidos nos principais projetos.

O sr. foi o Cardeal Richelieu da partilha do governo, como diz o governador. Nessa partilha o PMDB ficou de fora. Houve alguma indisposição?

Ainda ontem conversei com o Jorge Caruso (novo presidente do PMDB paulista) e, a pedido do Geraldo, transmitimos a disposição de o PMDB fazer parte do governo. Eles estão em processo de mudança da direção partidária com o falecimento do ex-governador Quércia. Nós colocamos a nossa disposição de termos a participação do PMDB. E o namoro continua.

O cenário muda com a entrada de Kassab no PMDB?

Depende do prefeito, do PMDB, de seus interesses. Nossa posição é para continuar a aliança com o PMDB. Temos o apoio do PMDB na Assembleia. Essa movimentação depende da decisão pessoal do prefeito.

Reportagem do Estado mostrou que ele já decidiu pelo PMDB.

Vamos aguardar os acontecimentos.

O sr. acredita que o governador deve indicar um nome do PSDB para concorrer à Prefeitura em 2012?

Nós temos de buscar um nome que seja competitivo e trabalharmos para ter uma boa aliança. Se nós formos inteligentes, vamos construir uma candidatura junto até com o prefeito Kassab. Vamos trabalhar por isso.

Em 15 dias de governo, a gestão do governador teve problemas com a procuradoria eleitoral, com o caso do cunhado e com as enchentes. Já há desgaste?

As notícias são mais positivas, de ações de governo e investimentos. Essa questão do cunhado envolve o nome do Geraldo e da primeira-dama de forma equivocada. É um problema municipal que não tem a ver com o Estado. O governador já disse que tem de apurar. Na questão das enchentes, as ações são imediatas. O governo anterior investiu muito, quase R$ 600 milhões. Agora, é uma fatalidade. Tem chovido muito e tem problemas que precisam ser enfrentados.

O caso do cunhado causou algum incômodo no governo?

Não. Normal. Trabalhando.

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