''Vamos multiplicar o convencimento''

Personagem-chave no sprint final da campanha tucana à Presidência, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem pela frente amplo roteiro até o dia 31 de outubro. Além de percorrer o interior paulista, ao lado de seus "mensageiros", vai ao Rio Grande do Sul e ao Nordeste preencher vazios da agenda do presidenciável tucano José Serra.

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2010 | 00h00

Dizendo-se "soldado", Alckmin entrou no front de batalha serrista no dia 3 de outubro, após sua vitória. Ele protelou a transição do governo paulista, que deve fazer apenas a partir do dia 1.º de novembro, em prol do colega tucano. Para alguns correligionários, dose de lealdade até inesperada.

O sr. deixou a transição do governo paulista de lado e iniciou um roteiro de viagens em favor de Serra. Qual o balanço que faz das incursões?

Nós deixamos para trabalhar essa questão da transição encerradas as urnas no dia 31 de outubro. Até o dia 31 vamos nos dedicar a ajudar o Serra nesse segundo turno. Aqui em São Paulo já fizemos, desde o dia 5 de outubro até hoje, 55 eventos em44 cidades. Eu fui a muitas delas, também o Aloysio (Nunes Ferreira), o (vice-governador eleito Guilherme) Afif, o (coordenador de campanha Sidney) Beraldo, o (prefeito de São Paulo Gilberto) Kassab e (o secretário estadual de Educação) Paulo Renato. Estamos nos dividindo em vários companheiros. E o giro por Estados que não vai dar tempo de o Serra ir. Acre, onde ganhei a eleição em 2006, Cuiabá, Dourados, em Mato Grosso do Sul, Araraquara e em seguida Goiânia. É uma eleição disputada. Eu vejo que as possibilidades do Serra crescer mais, de agregar mais apoios é maior.

Em 2006, Serra não fez o mesmo pelo sr. e iniciou a transição assim que eleito, ainda no primeiro turno.

Em 2006 nós tivemos o apoio de todos os nossos companheiros do partido. Não era uma eleição fácil porque quando se tem a reeleição, é mais difícil para a oposição. Nos Estados Unidos se diz que o mandato é de oito anos. Veja que o presidente Fernando Henrique Cardoso na reeleição venceu o próprio Lula, que não foi nem pro segundo turno. Nessa eleição as possibilidades são melhores. Lula não é candidato. Aqui em São Paulo podemos fazer a diferença. Temos mais de 30 milhões de eleitores. Serra já ganhou a eleição no primeiro turno, mas acho que essa diferença pode crescer no segundo turno. Estamos ajudando onde o candidato vencia a eleição para estimular o time todo. Devo ir nesta semana ao Rio Grande do Sul, onde tive as maiores votações para presidente, e depois para o Nordeste.

Como o sr. vê seu papel nesse momento? Seu nome aparece novamente entre os mais fortes do PSDB no País.

Quando terminou a apuração no primeiro turno, disse ao Sérgio Guerra: soldado Alckmin se apresenta. Estamos juntos.

Como foi feita a escalação dos "mensageiros" por Serra? Por que Kassab, Beraldo, Afif e Paulo Renato?

Quando acaba o primeiro turno não tem mais candidato a deputado estadual, federal, candidato a governador. A disputa fica limitada entre os dois candidatos à Presidência. É preciso manter a campanha, a mobilização, intensificar o trabalho de convencimento. Vamos levar as informações para o eleitor. Surgiu a ideia de nos multiplicarmos. Vários líderes levam essa carta (assinada por Alckmin e Aloysio) agradecendo votos e pedindo empenho em mãos. Toma café, conversa, estimula, ouve e pede o empenho. Queremos que as lideranças, não só do PSDB, tenham um empenho nessa reta de chegada. Especialmente junto à sociedade civil.

Que avaliação faz da presença de FHC nessa reta final?

O presidente Fernando Henrique sempre esteve em todas as nossas campanhas. A participação dele pessoal, indo ao anúncio de lideranças do PV (na segunda-feira passada), foi muito importante. Ele tem um compromisso com o desenvolvimento sustentável, tem laços pessoais com muita gente do PV, com a própria candidata Marina Silva.

O sr. teve 2 milhões a mais de votos do que Serra no primeiro turno. Como transferi-los?

O Serra tem todas as condições de aumentar fortemente seus votos em São Paulo. A candidata Marina teve quase 20% dos votos e entendo que esse eleitor é mais próximo do PSDB. Há uma afinidade maior, tanto que aqui em São Paulo o Fábio Feldmann já declarou apoio ao Serra, assim como o deputado do Rio, Fernando Gabeira.

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