Van ilegal ainda circula no centro

Serviço não aceita bilhete único, mas normalmente sai lotado

Camilla Haddad e Naiana Oscar, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

14 Agosto 2009 | 00h00

Alheias à fiscalização municipal, lotações irregulares circulam pela cidade e transportam passageiros sem aceitar bilhete único e em condições precárias de segurança. As peruas saem lotadas, com a porta aberta. Cobradores pendurados chamam as pessoas que estão do lado de fora à espera de ônibus convencionais. As cenas lembram o caótico serviço prestado pelos antigos lotações, antes da licitação concluída em 2003, na gestão Marta Suplicy (PT). Um dos pontos finais das peruas fica no Largo do Paiçandu, no centro, na frente de um ponto regular da São Paulo Transporte (SPtrans). Os veículos fazem duas linhas para os bairros de Pedra Branca e Parque Tietê, na zona norte. A reportagem acompanhou a chegada dos lotações ao ponto final, na Rua Boticário, entre 18 e 20 horas de uma quinta-feira. Sete veículos, entre vans, Sprinters e micro-ônibus brancos, pararam para pegar passageiros, num intervalo de 15 minutos. A fila com 20 pessoas era suficiente para encher o carro, mas cobrador e o motorista faziam questão de ir até o ponto oficial chamar mais gente. "Bora, Pedra Branca", "Vai sair, vai sair", "É o Pedra Branca." No banco da frente, onde cabem duas pessoas, além do condutor, dois homens e uma mulher dividiam o espaço sem cinto de segurança. Nada de catraca nem bilhete único. "Aqui é tudo no dinheiro. Por isso pego só às vezes, quando tô com pressa, porque a empresa paga vale transporte", disse uma passageira. A tarifa é igual à do sistema oficial, R$ 2,30. As peruas também saem da Lapa na direção da zona norte. O ponto fica atrás do Mercado Municipal da Lapa, na Rua Conrado Moreschi. Em duas horas e meia, passaram 20 lotações por ali. Os carros são velhos. É tudo no grito: "Vou descer, motoristaaa!" Nos dois lados da calçada, perto do ponto, havia pelo menos 200 pessoas aguardando ônibus. Mãe e filha, após meia hora de espera, entraram na Sprinter que seguia para Morro Doce. "Compensa pagar em dinheiro, porque o ônibus está demorando." No ponto dos perueiros irregulares, um "fiscal" organiza o embarque e desembarque, sentado num caixote de madeira. Do outro lado da rua, agentes da SPTrans ignoram o serviço paralelo de transporte. Das sete peruas flagradas no centro, apenas uma tinha na lataria um selo vermelho indicando "autorização judicial" para circular e "vedada a apreensão". Os donos desses veículos conseguiram liminares para operar sob a justificativa de que foram excluídos do processo de licitação realizado em 2003. As primeiras liminares foram obtidas por três associações de perueiros que não conseguiram habilitação na licitação da gestão Marta Suplicy (PT). Ao assumir a Secretaria Municipal de Transportes, em 2007, o secretário Alexandre de Moraes determinou a apreensão de todas as vans de passageiros. Na época, ele afirmou que as decisões provisórias não autorizavam a circulação desses carros, mas que eles passassem a fazer parte da frota oficial. Em novembro, a Prefeitura identificou 48 vans com liminar e exigiu que se regularizassem. Até agora ninguém concluiu o processo. Além das multas por desrespeito às regras de trânsito, os clandestinos estão sujeitos às restrições de circulação dos fretados. Para o presidente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Ailton Brasiliense, o impacto da falta de fiscalização dessas peruas é na segurança. "Brigamos durante anos por um sistema regular compromissado e é impressionante saber que os lotações ainda existem", afirma. Ele diz que, como não é habilitado pela Prefeitura, não há garantia de que o veículo passe por vistorias e que o condutor seja capacitado.

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