Vândalos destroem radares com serra elétrica

Motoristas furiosos com autuação danificam aparelhos, diz funcionário

José Dacauaziliquá, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

13 Fevereiro 2009 | 00h00

Motoristas furiosos com o flagrante em alta velocidade e criminosos que se sentem "vigiados" pelos radares fixos espalhados por São Paulo depredaram três novos equipamentos neste ano. Na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, no Bairro de Pereira Barreto, zona norte, os aparelhos foram danificados duas vezes em menos de 30 dias. Em um dos ataques, vândalos cortaram o poste de sustentação do radar ao meio com uma serra elétrica. De acordo com funcionários da empresa Splice, que instalou os equipamentos, os casos de depredações e furtos concentram-se na periferia. Eles pediram o anonimato. "Certa vez, pegaram uma serra, daquelas Makita (serra elétrica circular), cortaram o poste e levaram o equipamento", disse um funcionário. Outra forma de eliminar a fiscalização é virar as lentes para o chão ou para o mato. Os empregados relatam também que recebem ameaça quando realizam a manutenção dos equipamentos. "Chegou um grupinho de garotos e disse: ?Tio, é melhor o senhor sair daí, porque o pessoal não está gostando dessa coisa de câmera por esses lados. E não adianta arrumar que o povo vai quebrar tudo de novo?", contou outro funcionário. Os novos radares fixos de fiscalização de velocidade já foram atacados no primeiro mês de funcionamento. Além dos dois aparelhos da Pereira Barreto, um outro radar foi danificado na Estrada de Taipas com a Rua Paulo Arentino, no Jaraguá, zona norte. Na região central e nos bairros nobres não há registro dessa ocorrência. Vítima da imprudência de motoristas na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, o funcionário de uma empresa de manutenção de coifas José da Silva apoia os radares na via. "Já é a segunda vez que quebraram esses radares em menos de um mês. Eu sou a favor dos radares porque já perdi uma Fiorino e uma Belina por causa de carros que estavam em alta velocidade", disse. Silva somou prejuízo de cerca de R$ 15 mil. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que os dois radares começaram a operar no dia 28 de janeiro. A empresa confirmou a depredação e as despesas de manutenção correm por conta da empresa Splice. Cada radar fixo custa cerca de R$ 80 mil. A CET e a Splice não informaram os números de equipamentos furtados ou depredados em 2008 e 2009. A CET informou que a cidade tem 92 radares fixos. Até o fim de março, serão 123.

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