Vândalos furtam pela quarta vez os óculos de Drummond no Rio

Armação de bronze foi retirada da estátua do poeta, um dia após ter sido recolocada, na praia de Copacabana

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

22 de maio de 2008 | 18h07

Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros, deixará de usar óculos. Pelo menos enquanto não for instalada uma câmera de segurança, em frente à estátua do poeta, na Praia de Copacabana. A decisão da prefeitura ocorreu depois que o objeto foi levado na quarta-feira, 21, dois dias depois de ter sido recolocado na estátua. Essa foi a quarta vez que a peça foi furtada. Entre fevereiro e maio, a estátua ficou sem óculos. A Fundação Parques e Jardins já não tinha mais a réplica da armação usada por Drummond e os técnicos tentavam reconstituí-la a partir de fotografias do poeta. Ao saber disso, Pedro Drummond de Andrade, neto do escritor, cedeu a réplica que havia recebido de presente do artista plástico Leo Silveira, autor da escultura. A reinstalação foi feita na tarde de terça-feira. Pedro e o filho Miguel acompanharam a recuperação da estátua. Dessa vez, os técnicos da Fundação Parques e Jardins decidiram soldar os óculos de bronze puro em três pontos, de cada lado do rosto do poeta - na orelha, testa e bochecha.  A intenção era dificultar a ação de vândalos. Não foi o suficiente. Os técnicos da prefeitura acreditam que os óculos foram arrancados com a ajuda de uma barra de ferro que funcionou como alavanca. Cada par de óculos custa R$ 3 mil. Por conta disso, a diretora de Monumento e Chafarizes da Fundação Parques e Jardins, Vera Dias, decidiu não reinstalar a armação.  Segundo a assessoria de imprensa da fundação, Vera vai pedir à Companhia de Engenharia de Tráfico (CET-Rio) a instalação de uma câmera de monitoramento do trânsito que fique voltada para a estátua do poeta. Essa foi a estratégia adotada pela Fundação Parques e Jardins para coibir, por exemplo, as pichações na estátua de Zumbi, no centro da cidade. Por ano, a fundação gasta R$ 500 mil para restaurar ou pintar estátuas e mobiliário urbano alvo de vandalismo.

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