Vaqueiro é morto em conflito no Pará

O secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, mandou hoje uma equipe de policiais civis e militares para São Félix do Xingu, no sul do Estado, onde um vaqueiro foi morto durante conflito entre posseiros e pistoleiros da Fazenda Tibórbia. O corpo de Amarair Câmara da Silva, crivado de balas, está há uma semana numa área de difícil acesso da fazenda e ainda não foi resgatado. Isto deve ocorrer na manhã desta quinta-feira, quando um helicóptero descerá no local. Segundo o posseiro Regivan Câmara da Silva, irmão da vítima, oito pistoleiros chegaram armados na fazenda, desferindo tiros contra as pessoas acampadas no local. Muitos lavradores correram para o mato, inclusive Amarair, que foi alcançado numa picada a 15 km do acampamento e friamente assassinado. Regivan e outras testemunhas prestaram depoimento na delegacia de São Félix, informando ao delegado José Taborda que os criminosos ainda se encontram na fazenda. Com base nas informações, Taborda pediu a prisão preventiva dos acusados. O problema é prendê-los, já que a polícia do município não dispõe de viaturas nem recursos para bancar uma viagem até a fazenda por estradas lamacentas que cortam ao meio a floresta amazônica. A área é palco há mais de um ano de conflitos entre posseiros, lavradores sem terra e supostos donos da fazenda, que estariam explorando mogno para vendê-lo às madeireiras da região. Pelo menos quatro pessoas já teriam sido assassinadas no local lutando pela posse da terra nos últimos oito meses. A polícia, que não confirma essas mortes, é acusada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de não investigar os crimes porque seria aliada dos fazendeiros. O ouvidor agrário estadual, desembargador aposentado Otávio Maciel, disse que os órgãos ligados à segurança pública e o Ibama devem começar ainda esta semana uma grande operação em São Félix para combater conflitos no campo, roubo de madeira e crimes de encomenda. Além da Tibórnia, os policiais estarão na Fazenda Lindoeste, onde na semana passada um grupo de pistoleiros queimou casas e expulsou a tiros 20 famílias.

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