Vincenzo Pinto/AFP
Vincenzo Pinto/AFP

Vaticano acusa ultraconservadores de fomentarem ódio nas redes sociais após destruição de estátuas

Imagens foram roubadas e lançadas em rio de Roma; estátuas foram exibidas com outros artefatos em igreja próxima ao Vaticano. Sínodo da Amazônia acaba nesta semana

Redação, Reuters

22 de outubro de 2019 | 17h30

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano acusou redes sociais católicas ultraconservadoras de fomentarem ódio, nesta terça-feira, 22, depois que militantes roubaram estátuas que consideravam ídolos pagãos de uma igreja e a lançaram em um rio de Roma. A ação ocorreu na segunda-feira, 21, e na última semana de um sínodo em que se debateu o futuro da Igreja na região da Amazônia. As estátuas roubadas foram exibidas com outros artefatos amazônicos em uma igreja próxima do Vaticano.

“Em nome da tradição e da doutrina, uma efígie da maternidade e da santidade da vida foi jogada fora com desprezo”, disse Andrea Tornielli, diretor editorial do Vaticano.

Tornielli disse que o incidente foi “um gesto violento e intolerante” e que os ladrões “passaram do ódio nas redes sociais para a ação”. Ele disse ser chocante que um site católico conservador tenha dado como manchete do roubo “A Justiça está Feita”.

Mesmo antes de o sínodo começar, redes sociais católicas conservadoras atacaram seu documento de trabalho por considerá-lo herético, particularmente por sugerir que homens casados idosos possam ser ordenados como padres para rezar missas na vasta região isolada.

Mais tarde, eles expressaram revolta com o uso de uma estátua amazônica de uma mulher grávida em uma cerimônia de abertura.

A mídia ultraconservadora disse que a imagem é de uma deusa pagã conhecida como Pachamama. O Vaticano disse se tratar de um símbolo de vida indígena tradicional.

Um vídeo do incidente foi publicado na internet e ganhou destaque em sites da mídia católica conservadora e no Twitter. Um deles, LifeSite News, iniciou a petição para remover a estátua.

O LifeSite divulgou um comunicado dos ladrões dizendo que agiram porque as pessoas de fé estão “sendo atacadas por membros de nossa própria Igreja. Não aceitamos isso! Não ficamos mais em silêncio! Começamos a agir AGORA!”

Em um comunicado publicado nesta terça-feira, o Repam, um grupo de bispos católicos e de organizações da igreja da Amazônia presente em Roma para o sínodo, pediu respeito pela diversidade na Igreja.

“Nos últimos dias, fomos vítimas de atos de violência que refletiram intolerância religiosa, racismo, humilhação contra povos indígenas acima de tudo”, disse a entidade em um comunicado.

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