Acervo pessoal
Acervo pessoal

Vaticano autoriza processo para beatificar surfista carioca

Guido Schäffer organizou diversos grupos de oração. Morreu em 2009, quando a prancha acabou atingindo sua nuca

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 20h39

RIO - O Vaticano autorizou a abertura de processo para a beatificação de Guido Schäffer, médico e seminarista nascido em Volta Redonda, cidade no sul fluminense, e morto em maio de 2009, aos 34 anos. O pedido foi feito em maio deste ano pela Arquidiocese do Rio, que recebeu a resposta no fim de outubro e a anunciou nesta segunda-feira, 10. Agora, a Arquidiocese vai instalar um tribunal para dar início ao processo.

Para conceder o título de beato a uma pessoa, a Igreja Católica exige, entre outros requisitos, a comprovação de um milagre relacionado ao candidato. Essa condição só é dispensada em caso de martírio. A beatificação é considerada um passo anterior à canonização, processo em que a pessoa é declarada santa. Para isso é necessário comprovar mais um milagre ligado ao candidato.


Schäffer morava em Copacabana (zona sul do Rio) e era médico, seminarista e surfista. Havia cursado Medicina na Faculdade Técnica Educacional Souza Marques, de 1993 a 1998, e fez residência em clínica médica na Santa Casa, de 1999 a 2001. Cursou Filosofia (2002 a 2004) e Teologia (2006 e 2007) no Instituto de Filosofia e Teologia do Mosteiro de São Bento, no Rio. 

Em 2008, ingressou no Seminário São José para concluir o curso de Teologia e cumprir o período mínimo de vida no seminário necessário para a ordenação sacerdotal. Nesse tempo todo, Schäffer organizou diversos grupos de oração. 

Em 1.º de maio de 2009, ano em que concluiria o seminário, foi à praia da Barra da Tijuca (zona oeste) para surfar e comemorar com amigos o casamento de um deles, marcado para o dia seguinte. A prancha acabou atingindo a nuca de Schäffer, que morreu. Desde então, ele começou a ter fama de milagreiro. Seu túmulo no cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul), é visitado por romeiros. 

A vida de Schäffer foi registrada no livro O Anjo Surfista. Um site em sua homenagem recebe ao menos mil visitas por mês, segundo os organizadores. 

D. Roberto Lopes, delegado episcopal para a Causa dos Santos da Arquidiocese do Rio, será responsável por reunir material que comprove o milagre operado por intercessão de Schäffer. Relatos de cura já chegaram ao conhecimento de d. Roberto, a quem caberá reunir as provas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.