Alessandra Tarantino/AP
Alessandra Tarantino/AP

Vaticano cria comissão para combater abuso de crianças na Igreja

Medida foi anunciada após reunião do papa com a Comissão de Cardeais

Jamil Chade, O estado de S. Paulo

05 Dezembro 2013 | 12h16

GENEBRA - O papa Francisco vai criar um comitê no Vaticano para lutar contra abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes por religiosos e oferecer ajuda às vítimas. A iniciativa foi anunciada ontem, dois dias depois de a Santa Sé se recusar a informar à Organização das Nações Unidas (ONU) quais medidas teriam sido tomadas no passado para punir membros do clero que tivessem cometido crimes sexuais.

Desde o primeiro dia de seu pontificado, o argentino Jorge Bergoglio indicou que a luta contra a pedofilia era uma prioridade, até mesmo para restaurar a credibilidade da Igreja. Ontem, após uma reunião com o grupo de oito cardeais que o assessora na reforma do Vaticano, ele autorizou a iniciativa.

O anúncio coube ao cardeal americano Sean O’Malley, arcebispo de Boston. Segundo ele, o novo grupo vai estabelecer um código de conduta ao clero, regras gerais para a Igreja e monitorar o comportamento de padres pelo mundo. O comitê terá a tarefa de promover medidas para prevenir novos casos.

A escolha de um americano para fazer o anúncio é emblemática. A Igreja nos Estados Unidos tem sido afetada por escândalos de pedofilia. "Até agora vemos um foco muito grande na parte judicial da questão, mas a parte pastoral é muito importante e o papa está preocupado com isso", disse o americano, que insiste que os esforços da Igreja começaram com o papa Bento XVI. Entidades independentes e grupos de vítimas acusam o alemão de abafar casos.

Rigor. Francisco já havia modificado leis do Vaticano para facilitar a abertura de ação judicial contra religiosos e funcionários. Entidades de direitos humanos, porém, foram surpreendidas no início da semana quando a Santa Sé se recusou a responder a um questionário da ONU sobre o que o Vaticano fez para punir autores de crimes desde 1995. No dia 16 de janeiro, a ONU vai avaliar publicamente as políticas adotadas pela Santa Sé em uma reunião que promete causar polêmica.

O Vaticano informou que não responderá à ONU porque as punições, quando existiram, foram implementadas pelo Poder Judiciário onde estavam os religiosos. A Santa Sé indicou que punições da Igreja não são públicas. Sobre a sabatina da ONU, O’Malley insistiu que o papa vê a reunião como uma "oportunidade de o Vaticano demonstrar seu desejo de ajudar". O Vaticano disse que seus procuradores investigam "milhares de casos de abusos".

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