EFE/Ettore Ferrari
EFE/Ettore Ferrari

Vaticano faz apelo para que Trump reconsidere posição sobre o clima

'Nós, como igreja, temos muita esperança de que (as posições de Trump) vão mudar', disse cardeal Peter Turkson, indicado pelo papa para questões ambientais

O Estado de S. Paulo

30 Março 2017 | 11h48

O Vaticano exortou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ouvir as "vozes discordantes" e reconsiderar sua posição sobre a mudança climática nesta quinta-feira, 30, dizendo que os EUA correm o risco de ser suplantados pela China na liderança da proteção ambiental.

O papa Francisco tem feito da defesa do meio ambiente um dos pilares de seu papado, apoiando com firmeza a opinião científica segundo a qual o aquecimento global é causado principalmente pela atividade humana.  "Isso é um desafio para nós", disse o cardeal Peter Turkson, o indicado do papa para as questões de meio ambiente, imigração e desenvolvimento, quando indagado sobre o decreto presidencial de Trump que reverteu as regulações climáticas de seu antecessor, Barack Obama, e suas políticas imigratórias.

"Felizmente, nos Estados Unidos, há vozes discordantes, pessoas que são contra as posições de Trump", disse Turkson, que é de Gana e foi um dos maiores instigadores da encíclica papal de 2015 sobre a proteção ambiental.  "Isso, para nós, é um sinal de que, aos poucos, outras posições e vozes políticas vão emergir, e por isso esperamos que o próprio Trump reconsidere algumas de suas decisões", disse Turkson aos repórteres durante um café da manhã.    

O papa e o Vaticano, que tem relações diplomáticas com mais de 180 países e o status de observador permanente na Organização das Nações Unidas (ONU), vêm apoiando com entusiasmo o Acordo de Paris, pacto internacional dedicado a conter a elevação das temperaturas globais.    

"Nós, como igreja, temos muita esperança de que (as posições de Trump) vão mudar", afirmou Turkson. Depois que Trump assinou o decreto na terça-feira, cumprindo a promessa de campanha de fortalecer a indústria carvoeira dos EUA, nações lideradas pela China e pela União Europeia reafirmaram seu compromisso com o pacto de Paris, que Trump ameaçou abandonar.     

A China, que no passado combateu tentativas de governos estrangeiros para limitar as emissões de carbono, tornou-se uma defensora aguerrida dos esforços de contenção do aquecimento global.   "Embora Trump esteja indo na direção oposta, existe outra grande potência no mundo, a China, que está dando sinais diferentes, como se a América estivesse criando um vácuo que a China está preenchendo", afirmou Turkson.

Ele disse que o Vaticano torce para que as posições da China "provoquem uma reavaliação das posições de alguns países, neste caso os Estados Unidos". /REUTERS

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