Vaticano ignora gays em mensagem final de encontro de bispos

Documento, que será publicado ainda hoie, não faz menção aos homossexuais e cita divorciados apenas uma vez no texto

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2014 | 11h09

CIDADE DO VATICANO - Apenas uma referência aos divorciados, nenhuma menção aos gays. A mensagem final da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que se encerra neste domingo, dia 19, no Vaticano, após duas semanas de debates e reflexão sobre a família, exalta a beleza do matrimônio cristão e enumera as dificuldades que os casais enfrentam, sem entrar nas questões polêmicas que agitaram as discussões dos padres sinodais – cardeais e bispos de todos os continentes. Somando-se os convidados, entre os quais 14 casais, foram 253 os participantes da reunião. 

Ao falar da eucaristia dominical como encontro com Cristo e comunhão dos fiéis com Deus, o texto da mensagem informa que o Sínodo refletiu sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos dos divorciados. Essa discussão dividiu o plenário: uma ala conservadora defendeu as regras atuais, de proibição da distribuição da comunhão aos casais em segunda união, enquanto os reformistas, mais abertos, acenaram com a possibilidade de a Igreja permitir que os divorciados possam comungar, ainda que sob certas condições, a critério dos bispos. 

O fato de a mensagem não se referir à união de pessoas do mesmo sexo não significa que a questão venha a ser  deixada de lado, depois de ter sido levantada nas duas semanas de reunião. O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, d. Orani João Tempesta, um dos brasileiros participantes, disse à Rádio Vaticano que esse e outros temas, como o dos divorciados, serão aprofundados pelas dioceses para serem retomados, em outubro de 2015, na segunda etapa do Sínodo, quando serão publicadas as conclusões finais, com o aval do papa Francisco. 

A mensagem final adverte para as crises que atingem atualmente o matrimônio cristão, como o enfraquecimento da fé e dos valores, o individualismo, o empobrecimento das relações, a falta de paciência e de perdão, “que dão origem a novas relações, novos casais,  novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas”.  O texto ressalta também a realidade das famílias pobres, das vítimas de violência e daquelas que são obrigadas a emigrar por causa de guerras e de perseguições. 

O Sínodo será encerrado neste domingo, com a celebração de uma missa solene na Praça de São Pedro pelo papa Francisco, durante a qual ele fará a beatificação de Paulo VI, que governou a Igreja de 1963 a 1978. O papa emérito Bento XVI, que vive num antigo mosteiro, nos Jardins do Vaticano, depois de ter renunciado ao pontificado em fevereiro de 2013, vai assistir à cerimônia. Ele raramente aparece em público.

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