REUTERS/Yara Nardi
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Vaticano quer convergência de meios de comunicação

Orientação é do papa, que reúne milhares de seguidores no Twitter e Instagram; nesta quarta, teve início o Mutirão Brasileiro da Comunicação

José Maria Mayrink, ENVIADO ESPECIAL

16 Agosto 2017 | 21h42

JOINVILLE (SC) - O prefeito da Secretaria de Comunicação da Santa Sé, monsenhor Dario Viganò, disse nesta quarta-feira, 16, em entrevista coletiva, na abertura do Mutirão Brasileiro da Comunicação (Muticom), que o Vaticano está reestruturando seus meios de informação - jornal, rádio, televisão, cinema  - em uma estratégia de convergência digital, porque nenhum desses meios sobrevive como um instrumento isolado.

A orientação para a reestruturação é do papa Francisco. Além de divulgar suas mensagens pelo Osservatore Romano, pela Radio Vaticano, o papa utiliza a internet, onde o Vaticano mantém uma conta no Twitter para Francisco, cujo perfil cresceu exponencialmente. A experiência começou com Bento XVI, que renunciou em 2013 e se tornou papa emérito. "O papa Francisco lê todos os tuítes para aprová-los. Francisco tem também milhões de seguidores no Instagram.

"Poucos de nós são nativos digitais", disse monsenhor Viganò, ao encorajar velhos e experientes profissionais da imprensa a se atualizarem nessa nova realidade. "Devemos diminuir o abismo existente entre a cultura digital e os meios tradicionais de comunicação", aconselhou o prefeito de Comunicação do Vaticano. Viganò foi a Joinville como representante do papa Francisco. Embora não seja bispo ou cardeal, ele ocupa um cargo equivalente às congregações.

Lançado em 1998 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), o Muticom reúne, a cada dois anos, centenas de profissionais da informação, a maioria ligada à Igreja Católica. "O 10º Muticom trouxe mais de 800 participantes a Joinville", disse o padre Ivanor Macieski, organizador e coordenador do encontro, que começou nesta quarta e termina domingo. Há representantes de cerca de 200 das 275 dioceses brasileiras, vindos de 20 Estados.

"A igreja no Brasil criou um método forte para a discussão dos temas, não vi nada igual em outras conferências episcopais que visitei em todo o mundo", disse monsenhor Viganó.

Após abertura oficial do 10º Mutirão da Comunicação, monsenhor Viganò fez uma palestra no auditório do Expoville, centro municipal de eventos, sobre as mudanças na estrutura do esquema de comunicação da Santa Sé. Disse que é um processo longo, que está sendo iniciado com a unificação de métodos no Osservatore Romano, Radio Vaticano e Serviço Televisivo do Vaticano.

Viganò salientou as qualidades de comunicador do papa Francisco, "um grande contador de história" para explicar seu sucesso com o público, de católicos e não católicos. O papa, segundo o monsenhor, improvisa, sem ensaiar frases e ensinamentos, sempre surpreendendo seu público. "O papa Francisco sabe escutar o interlocutor, o que é bem diferente de apenas ouvir", disse Viganò.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo e o prefeito de Joinville, Udo Dolher, assistiram à sessão de abertura do Muticom.

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