Vazamento compromete operação na Rocinha

Grupo de 300 policiais ocupou favela, mas só prendeu 5 suspeitos

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

O vazamento de informações comprometeu a operação realizada ontem por mais de 300 policiais civis para estourar um esconderijo de drogas e armas na Favela da Rocinha, zona sul do Rio. Segundo o diretor das Delegacias Especializadas, Allan Turnowski, a polícia sabia do vazamento desde a véspera, mas seguiu com o planejado para ''''realizar investigações''''. Cinco pessoas foram presas e ninguém ficou ferido.''''Tínhamos a informação sobre um paiol de drogas e armas em uma casa, mas, quando chegamos, estava vazio'''', disse Turnowski. Para ele, a ação não foi um fracasso, porque ''''várias informações foram checadas''''. A polícia apreendeu uma submetralhadora, uma pistola, um revólver e cinco granadas, além de 10 quilos de maconha, 5 quilos de cocaína e 500 pedras de crack. Uma central de TV a cabo clandestina foi estourada.Na chegada do comboio com mais de 100 carros da polícia, por volta das 9 horas, traficantes soltaram fogos. O tráfego na Auto-Estrada Lagoa Barra foi interditado por alguns minutos. Alguns dos carros usados foram cedidos pelo governo federal, equipados com computador e GPS. Traficantes monitoraram a movimentação da polícia com radiotransmissores. O comércio fechou as portas, mas reabriu logo em seguida.O primeiro preso foi o traficante Thiago Vasconcelos, o TH, condenado a 4 anos. Nessa hora, os traficantes soltaram fogos na mata em cima da saída do Túnel Zuzu Angel. Policiais responderam com tiros. Houve alguns tiroteios na favela, segundo a polícia. Flávio Correia do Carmo Kelly e Antônio Carlos da Silva Serafim foram presos com munição e drogas.Sem encontrar o esconderijo de drogas, os policiais se concentraram na apreensão de mercadorias roubadas e 26 motocicletas foram apreendidas. Alexandre Figueiredo de Carvalho, de 28 anos, foi detido com uma. ''''Se soubesse que era roubada, não passaria pela polícia'''', alegou. A mulher dele, Marcela Pereira, de 21 anos, criticou a forma como o marido foi preso. ''''Depois de passar essa vergonha, quero sair daqui.'''' Luiz Alberto Alves de Souza, de 23, foi apresentado pela polícia como Betinho, líder de uma quadrilha especializada em roubo de motos.A operação foi a quarta da polícia após os Jogos Pan-Americanos, encerrados no domingo. Vigário Geral, Mangueira e a Favela Furquim Mendes já foram alvo de incursões.

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