Vazamento em chuveiro a gás mata menina de 12 anos

Irmã de 5 anos, que estava junto, continua internada em hospital

Fabiana Cimieri, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 00h00

O delegado Carlos Nogueira, da 16ª Delegacia de Polícia (Barra), investiga a hipótese de homicídio culposo (sem intenção de matar) no vazamento de gás que matou a menina Kawai Baisotti, de 12 anos, e deixou ferida sua irmã caçula, Keilua, 5, que não corre risco de vida. O acidente aconteceu anteontem, quando as duas tomavam banho no apartamento do flat onde estavam com o padrasto, o contador Antonio José Dutra, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. "Em princípio, parece um acidente, mas vamos apurar se houve descuido de quem tomava conta delas ou do condomínio. Instaurei um procedimento para apurar se houve homicídio culposo", disse o delegado, depois de ouvir o depoimento do padrasto das meninas. A perícia preliminar, segundo Nogueira Pinto, aponta para a falta de conservação da instalação de gás. O banheiro não tinha janela e, uma das hipóteses, é a de que a chama-piloto do aquecedor tenha apagado. O delegado pretende ouvir ainda o proprietário do imóvel e a Companhia Estadual de Gás (CEG), responsável pela distribuição de gás no Rio. As meninas moravam com a mãe na Itália, e estavam de férias na casa dos avós maternos no Rio. Ao saber do acidente, mesmo sem ter sido informada da morte da neta mais velha, a avó passou mal e está internada num hospital da Barra da Tijuca. O enterro de Kawai depende da chegada da mãe. O padrasto contou à polícia que, na hora do vazamento, estava com a mulher ao telefone. Ele estranhou a demora e, como as crianças não responderam, entrou no banheiro e as encontrou desmaiadas no chão. De acordo com os bombeiros, quando eles chegavam, os corpos haviam sido movidos para a sala. Apenas uma ambulância estava disponível para socorrer as irmãs. O médico-bombeiro optou por levar Keilua para o hospital porque Kawai já estava com parada cardíaca. Segundo o relações-públicas do Corpo de Bombeiros, as manobras de ressuscitação cardiovascular não podem ser feitas com a ambulância em movimento. Uma equipe de enfermeiros tentou reavivar Kawai, mas não obteve sucesso. Keilua foi transferida ontem à noite para a UTI pediátrica de um hospital particular na zona sul do Rio. Seu estado de saúde é estável, ela já respira sem aparelhos, mas ainda não está se alimentando normalmente. Segundo amigos da família, ela ainda não foi informada da morte da irmã. O padrasto das meninas foi convidado a prestar um segundo depoimento ontem. Na saída, chorando muito, disse que houve um acidente: "Foi uma fatalidade, perdemos a luz das nossas vidas".Hoje, às 11 horas, técnicos da companhia irão acompanhar os peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) numa vistoria técnica do local "para detectar se o aquecedor está regulado e instalado de acordo com as normas de segurança". Em nota, a CEG lamentou o acidente e informou que "as causas são desconhecidas, e que dará toda assessoria técnica necessária para detectar o motivo do acidente".

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