Vazamento no caso Bancoop pode valer ação

A defesa do corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro ? que denunciou o deputado cassado e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de ter se beneficiado em negócios fechados por fundos de pensão sob controle do PT ?, estuda medidas jurídicas contra o vazamento dos depoimentos por ele prestados ao Ministério Público Federal.

, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

A maior preocupação dos advogados é com a proteção de Funaro, direito assegurado àqueles que colaboram com a Justiça em processo de delação premiada.

Advogados consultados pelo Estado avaliam que a revelação de declarações de um delator viola princípio elementar do acordo e põe em xeque o sistema do qual a Polícia Federal e a Procuradoria da República tem se valido para identificar organizações criminosas.

Em nota divulgada ontem, a advogada criminal Beatriz Catta Preta, que coordena a defesa de Funaro, destacou que "os fatos expostos pela mídia são parte integrante de procedimento protegido pelo segredo de Justiça". Ela assinalou que "todos os meios de comunicação" citam como fonte dos dados revelados o Ministério Público Federal do Paraná e a Procuradoria Geral da República.

"Desta forma, em respeito ao sigilo imposto por força de lei, informo que estamos aguardando a manifestação formal de referidos órgãos acerca dos fatos veiculados envolvendo o nome de meu constituinte, nos últimos dias", observou a advogada.

A advogada não se manifesta sobre o mérito das acusações de seu cliente. Prefere não alimentar a polêmica com intuito de preservá-lo. Ela tem mantido contatos por telefone com o corretor de valores.

Delação. O escritório de Beatriz, em São Paulo, atua com frequência em casos de delação premiada ? clientes colaboraram em ações judiciais de grande impacto, em curso na 6ª Vara Criminal Federal, que levaram à prisão doleiros e empresários por lavagem de dinheiro e evasão.

Alvo de investigação no escândalo do mensalão, Funaro mantém há quatro anos pacto de delação com o Ministério Público. Ele indica detalhes de operações que teriam beneficiado o ex-ministro e o PT.

Ele aponta o atual tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), João Vaccari Neto, como gerente de negócios dos fundos de pensão ligados ao partido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.