Taigo Queiroz/Estadão
Taigo Queiroz/Estadão

Veganismo chega a festas infantis e até a site de relacionamento

Já em João Pessoa foi criada instituição que se define como a ‘primeira escola vegana de ensino regular do País’

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2018 | 18h42

SÃO PAULO - O primeiro hambúrguer feito por Carlos Dias, de 29 anos, era de lentilha. E não era muito bom. Mas a experiência deu gosto e cada vez mais certo, o que resultou no lançamento da lanchonete Animal Chef em janeiro deste ano. Ao contrário do nome, nenhum ingrediente do cardápio é de origem animal.

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“O veganismo é muito ligado a algo sem graça, sem sabor, saudável, com soja. A gente quer fugir de todos os estereótipos possíveis”, afirma Dias. 

Segundo pesquisa Ibope Inteligência inédita, 49% dos brasileiros com mais de 16 anos acham que produtos veganos podem ter a mesma qualidade dos que contêm ingredientes de origem animal e 60% comprariam produtos do tipo se custassem o mesmo que os demais. Atualmente, 551 produtos de 60 empresas têm o Selo Vegano, da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), que encomendou a pesquisa do Ibope.

Porta de entrada. Há dois anos, quando abriu a venda de marmitas veganas e vegetarianas Olivato Cozinha, Maria Eugênia Olivato, de 31 anos, estranhava que a maioria dos clientes era onívora. “O preconceito está acabando, e isso já é um grande passo. Acho legal que pelo menos no almoço da semana ficam sem carne”, conta.

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Dentre seus compradores, uma das mais antigas recentemente procurou Maria Eugênia para contar a novidade: tinha virado vegetariana. “Ela disse que a Olivato teve papel fundamental no processo, porque descobriu que poder se alimentar bem, de forma gostosa e saudável, sem ter carne no prato.”

Já Danuza Pazzini, de 36 anos, criou o Vegana Bacana em 2017 por perceber um nicho de mercado: de festas infantis com comida vegana e vegetariana. “Descobri que não tinha nada do tipo por aqui”, lembra ela, que consome alimentos de origem animal. “Recebia e-mail de clientes agradecendo.”

Comunidades. Ao se tornar vegetariano há oito anos, o programador Rodrigo Alornoz, de 27 anos, se afastou de parte dos amigos que não compreenderam sua opção. Quatro anos depois veio a ideia: criar um site de relacionamentos para aumentar o ciclo de amizades. Nasceu aí o Loveg. “Vi muitos casais se formando, até gente que se casou”, diz o jovem, que pretende futuramente monetizar a ideia.

Em João Pessoa, a Nativa Escola foi lançada este ano como a “primeira escola vegana de ensino regular do País”. “Temos uma metodologia democrática, com influência montessoriana”, diz a coordenadora Raíssa Batista, de 26 anos. Além da alimentação, as crianças, de 1 a 4 anos, são estimuladas a ter um bom convívio com animais.

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Análise: Patrícia Ferraz

Legumes e verduras saíram do nicho

Restaurante vegetariano é termo em desuso – e essa é uma grande notícia. Significa que legumes e verduras estão virando protagonistas em cardápios de todos os tipos. Casas estreladas em São Paulo e no Rio, como D.O.M, Maní, Tuju e Oro, mantêm dois menus, herbívoro e onívoro. O exemplo vem dos grandes restaurantes pelo mundo. Atualmente o vegetal está em alta e o mais importante: recebe tratamento antes dedicado apenas às proteínas de origem animal. O Lasai, no Rio, não tem menu vegetariano, mas 80% do cardápio é composto de legumes e verduras. Rodrigo Oliveira, do Mocotó, Esquina Mocotó e Balaio, incluiu pratos vegetais e se surpreendeu com a procura. E não há hamburgueria artesanal que não tenha pelo menos uma opção sem proteína animal. Já há sushibar especializado, o Sushimar Vegano. E até A Casa do Porco tem pratos sem carne. Outra coisa: mesmo quem serve apenas vegetais não quer mais ser chamado de vegetariano. O Homa, onde reinam grãos, tubérculos e hortaliças, se autodenomina um “restaurante sem bicho”.

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