Veículos aéreos não tripulados podem ser opção para resgate no Rio

VANT evita riscos e possíveis novas tragédias humanas em áreas isoladas, diz especialista

Brás Henrique, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2011 | 16h20

RIBEIRÃO PRETO - Com os deslizamentos de terra provocados pelas chuvas na semana passada na região serrana do Rio de Janeiro, que provocaram a mudança topográfica de várias cidades, chegar a áreas isoladas e socorrer todas as vítimas tornou-se um trabalho complicado e difícil. Uma das alternativas, para evitar riscos e possíveis novas tragédias humanas, devido à instabilidade do clima e do solo, pode ser a utilização de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs), que sobrevoariam as regiões atingidas.

 

"Quanto mais rápido atuar e mapear essa zona, aumentam as possibilidades de resgate de vítimas", diz o especialista em VANT, o professor Onofre Trindade Júnior, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP), de São Carlos, na região de Ribeirão Preto.

 

Trindade Júnior acompanhou, nos últimos dez anos, o desenvolvimento da AGX Tecnologia, empresa 100% nacional (da aeronave ao software), de São Carlos, que fabrica VANT. O desenvolvimento começou com a Embrapa, para mapeamento agrícola. Mas o uso de um VANT pode ser também civil e militar (como monitorar fronteiras). "A vantagem de um VANT é que ele faz o que uma grande aeronave faz, com exceção de resgate, mas sem riscos por não ter tripulação", explica Trindade Júnior.

 

Dentro desse contexto, a AGX tem equipamentos que poderiam ser usados na região fluminense. O diretor da empresa, Adriano Kancelkis, em solidariedade às vítimas fluminenses, colocaria à disposição das autoridades do Rio um ou dois VANTs (precisa conhecer a demanda para saber a quantidade), caso seja solicitado, mas não teria, por ser uma microempresa, condições de bancar os custos operacionais e logísticos.

 

"Uma caminhonete é suficiente para o transporte", avisa Kancelkis. Segundo ele, o modelo Arara, com 3,20 m de asa por 3 metros de comprimento, seria o ideal para monitorar as áreas atingidas pelas chuvas. Ele acredita que sobrevoos, durante uma semana, faria todo o mapeamento para as autoridades. A AGX tem aeronaves com até quatro horas de autonomia de voo, que podem monitorar até 400 hectares/hora, com imagens em tempo real. "Isso significa 1.600 ha/h mapeados num dia", lembra Kancelkis.

 

O equipamento do VANT filma em tempo real e registra as fotos em alta definição, que podem ser montadas num mosaico em até seis horas depois. Isso possibilitaria às autoridades ver os detalhes da nova topografia provocada pelas águas. Com as informações, seria possível ver o que mudou na topografia e como chegar aos locais de difícil acesso e até como proceder em casos de resgate, se por via aérea ou terrestre.

 

O equipamento do VANT da AGX capta imagens em 10 cm/pixel. "Com essa definição conseguimos localizar e identificar objetos de 20 a 30 centímetros", afirma Kancelkis. Ele sabe que o Exército estaria usando um VANT na região fluminense, pela primeira vez, mas não conhece esse equipamento e nem os seus recursos. Caso tenha necessidade, ele disse que pode oferecer a plataforma computacional para processar as imagens captadas, ou seja, montar o mosaico.

 

"Seria ideal que as Polícias e as Defesas Civis tivessem esse tipo de equipamento e batalhões treinados para fazer os monitoramentos com rapidez e terem maiores possibilidades de salvamento de vítimas", comenta o professor Trindade Júnior. Um VANT pode custar a partir de R$ 35 mil. O VANT Arara, AGX, custa a partir de R$ 300 mil. Kancelkis diz que um equipamento similar, importado, custa R$ 1,5 milhão.

 

A empresa paulista hoje presta serviços de monitoramentos ambientais e agrícolas, com quatro equipamentos, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A empresa atua desde 2002 e fez o primeiro voo com avião de asa fixa 100% autônoma no Brasil três anos depois. A empresa já vendeu também dois modelos de alvos aéreos para a Marinha do Brasil.

Tudo o que sabemos sobre:
chuvasRio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.