Veja íntegra do depoimento de Turcão no Rio

Aconteceram nesta quinta-feira os três primeiros depoimentos dos presos durante a Operação Hurricane (furacão, em inglês). Deflagrada pela Polícia Federal em 13 de abril, a operação prendeu 25 pessoas suspeitas de integrar um suposto esquema ilegal de compra de sentenças a favor do jogo ilegal. O primeiro a falar foi o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. Logo depois, foi a vez de Aniz Abrahão David e Antonio Petrus Kalil, o Turcão. Veja a íntegra do termo interrogatório de Kalil: "Processo n.º 2007.5101802985-5 TERMO DE INTERROGATÓRIO Em vinte e seis de abril de dois mil e sete, nesta cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na sala de audiências do Juízo da Sexta Vara Criminal Federal, achavam-se presentes a MM. Juíza Federal, Dr.ª ANA PAULA VIEIRA DE CARVALHO e os Procuradores da República, Dr. MARCELO FREIRE e Dr. ORLANDO MONTEIRO ESPÍNDOLA DA CUNHA, comigo Técnico Judiciário adiante declarado. Aí pelo MM. Juiz, feita ao acusado a observação do art. 189, do C. de Processo Penal, foi o mesmo qualificado e interrogado na forma abaixo: Nome: ANTÔNIO PETRUS KALIL Nacionalidade: brasileira Naturalidade : Rio de Janeiro Estado Civil: casado Nascido em: 18/3/1925 RG n.º 533.816 - IFP/RJ CPF n.º - Filiação: Salomão Petrus Kalil e Maria Petrus Kalil Residência: Rua Professor Carlos Carneiro, 818 - Camboinhas - Niterói/RJ Reside em imóvel próprio? sim Quais os meios de vida ou profissão e qual o lugar onde exerce a sua atividade? - Escolaridade: primária Número de dependentes: - Em seguida, lido e achado conforme, passou o Dr. Juiz a interrogar a acusada na forma do art. 188 e seus incisos, I a VIII, do CPP, feita a observação de que o réu não está obrigado a responder as perguntas que lhe serão feitas, mas que o interrogatório é uma importante oportunidade de defender-se, tendo o acusado respondido o seguinte: que são seus advogados a Dr.ª Concita Cernecchiaro, OAB/DF 2.531 e o Dr. João Costa Ribeiro Filho, OAB/DF 9.968; que não é verdadeira a acusação; que foi acusado de bingo e máquina e não tem; que ainda trabalha com sua creche; que tem uma creche, mas não se recorda bem; que é um clube, mas tem creche, tem ginásio, tem esporte; que trabalha no clube; que MARCELO é advogado; que tem outros dois filhos, ANTÔNIO e SÍLVIA; que tem também um hotel e uma academia; que seu filho ANTÔNIO trabalha no hotel e na academia também; que ele toma conta; que MARCELO tem como local de trabalho o mesmo conjunto de ANTÔNIO; que não sabe informar em que área advoga MARCELO; que está diariamente à frente de seus negócios acima mencionados; que nunca foi dono de nenhuma casa de bingo; que também não tem nenhuma relação com máquinas caça-níquel; que explorava o jogo do bicho até quatro meses atrás, mas agora está afastado; que explorava o jogo do bicho em Niterói; que se afastou por causa da idade e da doença; que seu filho MARCELO não ajudava o interrogando; que não é ligado e não tem nem idéia sobre a atividade de bingo; que também não conhece ou tem amigos que explorem máquinas caça-níquel; que conhece os acusados AILTON GUIMARÃES e ANIZ; que os conhece do esporte; que não tem nenhuma relação com a LIESA; que não conhece ninguém ligado à ASSOCIAÇÃO DOS BINGOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; que não tem nada com bingo; que conhece JÚLIO CÉSAR GUIMARÃES, sobrinho de AILTON GUIMARÃES; que conhece JÚLIO também do ramo de esporte; que não conhece as empresas ABRA PLAY e REELTOKEN; que não conhece os acusados JOSÉ RENATO, PAULO ROBERTO, BELMIRO, LICÍNIO, LAURENTINO ou JOSÉ LUIZ; que conhece o juiz do trabalho ERNESTO DÓRIA; que ele não é afilhado do interrogando; que ele chama o interrogando de padrinho; que não se lembra mais onde conheceu ERNESTO DÓRIA; que ele o chama de padrinho porque pegaram muita intimidade; que ele não pedia dinheiro ao interrogando; que não conhece JAIME GARCIA DIAS, EVANDRO DA FONSECA, SILVÉRIO CABRAL JÚNIOR, SÉRGIO LUZIO MARQUES, VIRGÍLIO MEDINA e LUIZ PAULO DIAS DE MATTOS; que acha que conhece NAGIB TEIXEIRA SAUID de nome; que não sabe quem é JOÃO OLIVEIRA DE FAIAS; que não conhece os demais acusados; que faz tratamento de saúde; que indagado quais são seus problemas de saúde, respondeu que tem uma forte apnéia do sono e já operou o coração; que tem pernas inchadas e dificuldade respiratória; que tem oitenta e dois anos; que seus rendimentos têm como origem o hotel e a academia mencionados anteriormente; que já foi preso ou processado uma vez; que não se lembra mais há quantos anos foi condenado; que está com a cabeça confusa e não sabe informar sequer se ficou preso ou mesmo quanto tempo ficou; que tem um médico constante, mas não se lembra o nome; que acha que não conhece o policial MARCOS BRETAS; que faz um tratamento para a memória; que não sabe o nome do remédio; que tem tonturas; que também não se alimenta e não dorme bem. Indagado ao MPF se havia algum ponto a ser esclarecido, foi perguntado e respondido que não conhece os desembargadores RICARDO REGUEIRA e CARREIRA ALVIM, nem de ouvir falar. Indagado à DEFESA de ANTÔNIO PETRUS se havia algum ponto a ser esclarecido, foi perguntado e respondido que não está usando o aparelho de apnéia na prisão; que o interrogando é diabético; que não tem comido quase nada na prisão; que como algumas frutas; que não se lembra há quantos dias está preso. Indagado às demais DEFESAS se havia algum ponto a ser esclarecido, foi dito que não. NADA MAIS. Do que, para constar foi lavrado o presente termo, que após lido e achado conforme, vai por todos assinado. Eu, , Jorge Alexandre Nicacio Calbo, Técnico Judiciário, o digitei. E eu, , João de Almeida Rodrigues Neto, Diretor de Secretaria, o subscrevo. JUÍZA MPF DEFESA ACUSADO"

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 21h35

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