Paula Lamberti
Paula Lamberti

Veleiro brasileiro é atacado por orcas perto de Lisboa

Animais atingiram embarcação, que ficou à deriva, mas velejadores não se feriram; incidentes em Portugal e Espanha têm aumentado

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2021 | 05h00

Um veleiro brasileiro foi atacado por orcas entre os Açores e Lisboa, em Portugal, na madrugada de quinta-feira. A embarcação Strega – do casal de Bauru, no interior paulista, Paula Lamberti e Fernando Mendes – se aproximava da costa quando foi golpeada diversas vezes pelos animais. O casal, resgatado sem ferimentos, já está em terra firme e se recupera do susto.

A velejadora Paula Lamberti, de 48 anos, conta que o veleiro saiu da Ilha de Santa Maria, nos Açores, no dia 30 e tinha a previsão de chegar a Lisboa no dia 6. “Estávamos a 36 milhas da costa de Portugal, entrando em uma zona de tráfego de navios muito intensa. No horário daqui de Lisboa, por volta das 2 horas, fomos surpreendidos por uma pancada forte. A gente já foi para o cockpit e o barco girou 360 graus. Neste momento, ficamos sem leme e percebemos que estávamos à deriva.”

Paula conta que eles chegaram a ver os animais. “Iluminamos com holofotes fortes e não vimos mais do que duas orcas. Elas se levantavam ao lado do barco, saíam da água para respirar. Elas ficaram cerca de 10 a 15 minutos. Depois, se desinteressaram e foram embora.”

A velejadora relata que o marido acionou a Marinha portuguesa, que logo informou a posição do veleiro às demais embarcações para evitar acidentes. O casal, que viaja com Choppinho, um cachorro lhasa apso de 7 anos, ainda se deparou com o medo de precisar abandonar o veleiro após as orcas se afastarem, pois não sabia as dimensões dos danos.

“Quando a gente navega, usa uma bolsa de abandono, com documentos, GPS, água e barrinha de cereal para, no caso de abandonar o barco, levar só ela. Meu marido falou: ‘Vou entrar nas engrenagens para ver se não entrou água e você vai ver se tem tudo na bolsa de abandono’”, lembra. “Se lesasse o casco, poderia ter afundado, mas não entrou uma gota de água no barco. Então, tivemos apenas de esperar o socorro e, por mais assustado que estivéssemos, conseguimos manter a calma e tomar as decisões necessárias.”

Um barco pesqueiro chegou a ir ao local para conferir se tudo estava bem e o resgate ocorreu às 5h15 do mesmo dia, mas não foi fácil. “Fomos rebocados durante seis horas e o veleiro não foi feito para ser rebocado. Os cabos arrebentaram quatro vezes, o mar aumentou, os ventos aumentaram, mas as pessoas que foram nos ajudar foram muito calorosas, perguntavam se a gente estava desconfortável.” 

Reportagens locais relatam episódios com orcas e embarcações na região de Portugal e na Espanha. “Esse comportamento tem se repetido há cerca de um ano e os biólogos estão tentando entender o que está acontecendo. É assustador, mas a gente sabe que é o hábitat delas. Não acredito que elas tenham atacado com instinto assassino.”

Futuro

O casal fez a primeira volta pelo Oceano Atlântico em 2012 e iniciou a atual viagem em 2019, quando saiu do Brasil, foi para o Caribe e tinha como meta encerrar o trajeto em Portugal no ano passado. A pandemia, no entanto, adiou os planos. Paula diz que o casal vai continuar velejando assim que o Strega, que significa bruxa em italiano, passar por reparos.

“Choppinho ficou assustado, mas ficou bem, ele ficou quietinho. Não estamos traumatizados, queremos resolver essa situação para entrar no Mediterrâneo. A gente estava programado para deixar o barco em Lisboa e voltar para o Brasil em novembro. Agora, tem de tirar o barco da água para fazer manutenção e, como é de fabricação brasileira, vamos ter de adquirir peças originais. A gente está feliz com o final, porque estamos bem e nada de mais grave aconteceu. As vidas estão preservadas.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.