REUTERS/Jean-Francois Huertas
REUTERS/Jean-Francois Huertas

Velejadores brasileiros acusados de tráfico em Cabo Verde voltam ao Brasil na próxima semana

Parentes reuniram amigos para celebrar a notícia em Salvador. 'É muita felicidade', diz a mãe de um deles

Heliana Frazão, Especial para o Estado

09 de fevereiro de 2019 | 00h53

SALVADOR - Ainda sob o impacto da notícia de que o filho, Rodrigo Dantas, foi solto da prisão em Cabo Verde e deverá retornar ao Brasil até próxima quarta-feira, 13, a professora de educação física Aniete Dantas reuniu amigos e parentes na tarde dessa sexta-feira, 8, em frente a Igreja de Santo Antonio da Barra, em Salvador, para celebrar o fato. O velejador Rodrigo e outros dois amigos, Daniel Dantas e Daniel Guerra, haviam sido condenados a 10 anos de prisão, em 2017, por tráfico internacional de drogas.

Eles ficaram presos em  Cabo Verde por 18 meses sob a acusação de terem transportado mais de uma tonelada de cocaína escondida no casco do barco em que viajaram para o país africano. Os jovens brasileiros foram liberados na quinta-feira, 7, e aguardam apenas a liberação dos passaportes para retornarem ao Brasil. Eles estarão submetidos ao Termo de Identidade e Residência (TIR) ficando obrigados a comparecer perante as autoridades sempre que notificados; não poderão mudar de residência, nem mesmo se ausentar por mais de cinco dias, sem comunicar à Justiça.

Pregando a inocência do filho, Aniete diz que o julgamento dos três jovens ocorreu de forma açodada e que o inquérito está eivado de erros e falta de provas. Segundo ela, a justiça de Cabo Verde sequer, levou em conta o fato de haver, desde 2016, denúncia contra o barco, pertencente a três ingleses, que o alugaram para uma empresa pela qual os brasileiros viajaram, por suspeita de tráfico de drogas. Ela acredita serem os ingleses os responsáveis pela cocaína, que foi escondida em um dos tanques de combustível da embarcação, que passou por mudança estrutural fora do Brasil, pouco antes da viagem do filho.

"Somente agora essas questões estão sendo levantadas. Dois dos ingleses já foram presos, embora um tenha sido colocado em liberdade, e outro está foragido. Mas tenho fé que toda a verdade virá à tona, e o meu filho e seus amigos serão inocentados.

Com a reabertura do caso, os rapazes ganharam o direito de responder em liberdade e deverão enfrentar um novo julgamento em até 18 meses. "Agora teremos tempo para apresentar todas as provas e testemunhas que inocentarão o meu filho. Eles foram presos no cumprimento da profissão deles, que são velejadores. Foi uma aventura que se transformou numa desventura. Tenho fé que agora poderemos retomar as nossas vidas, em paz", desabafa.

Aniete contou que a liberação dos jovens nessa quinta foi uma grande surpresa. A família aguardava a avaliação de um recurso. "Meu marido (João Danta) foi visitar Rodrigo, e ao chegar à cadeia foi informado de que os três haviam sido levados ao tribunal. Ficamos muito apreensivos sobre o motivo e imediatamente entramos em contato com o advogado que contratamos em Cabo Verde, para saber o que tinha acontecido. Ele logo nos avisou que os três acabavam de ser liberados. Não sei descrever o tamanho de nossa alegria. É muita felicidade", disse ela, garantindo que jamais perdeu a fé de ver o filho de volta o Brasil.

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