Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Velório de José Alencar atrai milhares e une políticos de todos os partidos

Cerimônia de adeus ao ex-vice-presidente, com honras de chefe de Estado, reúne mais de 8 mil pessoas no Planalto; Lula chora copiosamente

Eugênia Lopes e Leonêncio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

Ex-vice-presidente da República José Alencar (PRB) foi velado ontem no salão nobre do Palácio do Planalto com honras de chefe de Estado. Um público eclético participou do velório: ministros, governadores, políticos de todos os partidos, integrantes do Judiciário, empresários, servidores e populares. Até as 22h30, 8,1 mil pessoas haviam enfrentado filas e um forte esquema de segurança para ver de perto o corpo do ex-vice-presidente.

Depois de mais de 13 anos com um câncer no abdome, Alencar morreu de falência múltipla dos órgãos na tarde de anteontem.

Um dos momentos mais emocionantes foi a chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao velório, por volta das 21h20. Ele e a presidente Dilma Rousseff estavam em Portugal, onde Lula recebeu um título da Universidade de Coimbra (veja box nesta página). Ao chegar, Lula abraçou demoradamente o filho do ex-vice, Josué Gomes da Silva. Emocionado, não conseguiu falar e permaneceu um bom tempo segurando a mão do empresário. Ao lado do caixão, Lula chorou copiosamente. Enxugando as lágrimas, segurou as mãos e beijou a testa do seu ex-vice.

A mulher de Alencar, Mariza Gomes da Silva, e o filho Josué consolaram o ex-presidente. Dilma se aproximou do caixão e se abaixou, em sinal de reverência. Populares continuavam a chegar ao Planalto para a última homenagem a Alencar.

Lula e a presidente Dilma acompanham hoje, em Belo Horizonte, a cerimônia de cremação de Alencar, às 14h, no Cemitério Parque Renascer. O governo mineiro organiza um velório aberto ao público no Palácio da Liberdade, de 9h às 13h.

O secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara, celebrou na noite de ontem uma cerimônia em que enfatizou o otimismo de Alencar. "Ele dizia: "Não tenho medo da morte. A minha vida está nas mãos de Deus"", relembrou.

Honras. O corpo de Alencar chegou à base aérea de Brasília, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), às 10h. Meia hora antes, os familiares de Alencar desembarcaram e foram recebidos pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e pelos presidentes da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Houve cortejo fúnebre num carro do Corpo de Bombeiros na principal via da capital federal. Às 11h, o caixão foi conduzido pela rampa do Planalto até o salão nobre, ornado com 154 coroas de flores, sob aplausos de autoridades e funcionários.

Na presença de ministros do Executivo e do Judiciário, governadores e parlamentares, d. Lorenzo Baldisseri, núncio apostólico do Brasil, celebrou uma missa. "Ele era um homem de uma fé inquebrantável em Deus", disse.

A primeira parte do velório foi fechada e teve a presença apenas das autoridades e de familiares. Às 12h50, o velório foi aberto para populares, que fizeram filas para dar adeus ao ex-vice-presidente. O acesso ao público foi permitido a um metro do caixão. Mesmo com forte esquema de segurança, revista e detectores de metais, centenas de pessoas tiraram fotos com celulares ao se despedirem de Alencar.

Suprapartidário. Políticos de todas as tendências compareceram. "Muitas vezes fui visitá-lo no hospital. Nunca me encontrei com um moribundo, mas com um homem que pensava no dia seguinte. O maior legado que nos deixa é que vale a pena viver", disse o ex-governador e senador Aécio Neves (PSDB-MG).

"Ele era um homem de diálogo antes de tudo, além da fé que ele demonstrou, da bravura e da luta pela vida", disse o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que em 94 derrotou Alencar na disputa pelo governo de Minas.

O ex-ministro José Dirceu disse que perdeu "quase um pai". "O Zé era um amigo sempre presente, uma mão que me amparava, me protegia, me levantava", declarou. Dirceu lembrou que, em 2002, Alencar superou a resistência de parte do PT que era contrária à sua indicação como vice de Lula. "Ele esteve mais à esquerda do que muita gente do PT. Era uma grande alma. Fica a saudade, a perda de um amigo com grande coração. Ele até conseguiu ser um filiado de honra do PT, o que foi inédito", disse.

Dobradinha

Dias antes de morrer, José Alencar brincou no hospital: "Lula me convidou para ser vice em 2018. Os médicos vão ter de me segurar mais oito anos", disse, segundo o ministro Gilberto Carvalho.

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