Vencedor, Pimentel acena para PMDB

Ex-prefeito de BH é escolhido candidato em Minas, mas já fala em ceder cabeça de chapa para Hélio Costa, atendendo desejo de Lula

Christiane Samarco / BRASÍLIA e Eduardo Kattah / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

O ex-prefeito Fernando Pimentel derrotou o ex-ministro Patrus Ananias na disputa pela indicação como pré-candidato do PT ao governo de Minas. O resultado facilita o acerto para que o partido ceda a cabeça de chapa ao senador Hélio Costa (PMDB) e garanta palanque único para a presidenciável petista Dilma Rousseff.

Esse é o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a exigência do PMDB para fechar o acordo nacional em torno da candidatura presidencial. A senha de que a renúncia de Pimentel em favor de Costa era questão de horas foi dada pelo próprio mineiro ao presidente da Câmara e do PMDB, deputado Michel Temer (SP).

Os dois se encontraram ontem em Uberaba, onde Temer acompanhou a visita da pré-candidata petista à Exposição de Gado Zebu, que acontece anualmente. "Parece que eu vou mesmo ganhar e, aí, está tudo resolvido", cochichou Pimentel no ouvido de Temer, segundo revelou o deputado a um interlocutor.

Esse é o gesto que Dilma aguardava de seu coordenador de campanha para consolidar a aliança com o PMDB. Como a cúpula peemedebista avisara que a disputa presidencial passa por Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, e Costa ameaçara apoiar o presidenciável tucano José Serra, caso o PT insistisse em lançar candidato contra ele no Estado, a questão da vice ficou pendente.

Senado. Por ter vencido a prévia, Pimentel deverá se candidatar ao Senado. Os números finais da consulta interna realizada no domingo foram divulgados oficialmente pelo PT de Minas ontem à noite. Pimentel obteve 52% dos votos válidos (16.346 votos) e Patrus 48% (15.093 votos). Como era esperado, a prévia teve pouca adesão da militância. Dos cerca de 108 mil filiados aptos a votar em 605 municípios, compareceram às urnas menos de 32 mil petistas.

Embora tenha relação desgastada com Costa desde a eleição para a prefeitura da capital mineira em 2008, Pimentel vinha adotando um discurso mais conciliador do que Patrus, deixando claro que o diretório irá respeitar a política nacional de alianças e descartando a possibilidade de palanque duplo em Minas.

O ex-prefeito mantém a estratégia de tentar adiar ao máximo a definição do nome da base aliada no segundo maior colégio eleitoral do País, mas já trabalha abertamente com a hipótese de concorrer ao Senado. "Fui escolhido pelo partido para compor a chapa majoritária prioritariamente como (candidato a) governador, mas tem uma outra vaga que é o Senado", disse Pimentel ontem ao Estado. "Não posso excluir essa possibilidade, até porque ela é compatível com a ajuda que eu dou na campanha da ministra Dilma."

Após ter conversado com Temer, Pimentel disse que recebeu sinal positivo de que o encontro do PMDB marcado para o dia 15 poderá ser adiado. Nesse evento, os peemedebistas deverão anunciar oficialmente o apoio a Dilma e apresentar o nome de Temer como candidato a vice na chapa presidencial. A pedido de Pimentel, o presidente da Câmara deverá propor o adiamento do encontro para o dia 22. "O que nos daria mais tempo para processar esse assunto em Minas Gerais", observou o ex-prefeito.

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