GABRIELA BILO / ESTADAO
GABRIELA BILO / ESTADAO

Venda de água tem escolta policial em Governador Valadares

Cidade mineira teve fornecimento de água interrompido após a lama proveniente das barragens em Mariana atingirem o Rio Doce

Marco Antônio Carvalho, Enviado especial

11 Novembro 2015 | 18h01

GOVERNADOR VALADARES (MG) - Duas viaturas da Polícia Militar de Minas Gerais realizavam na tarde desta quarta-feira, 11, escolta em uma distribuidora de água na cidade de Governador Valadares, a cerca de 450 quilômetros de Belo Horizonte. O local teve o fornecimento de água interrompido pela prefeitura após a lama proveniente das barragens em Mariana atingirem o Rio Doce, que corta a região. 

Os policiais disseram ter sido chamados pelo dono do estabelecimento. "Ele chamou porque estava com receio de o pessoal vir aqui e tomar tudo", disse o cabo Wemerson Ferreira, que participava da escolta a um descarregamento de garrafões de 20 litros. A chegada do produto causou correria ao local no centro da cidade. Mais de 100 pessoas com garrafões vazios aguardavam a oportunidade de comprar água a R$ 10 e formavam um fila em volta do quarteirão. 

O primeiro da fila era o autônomo Felipe Junior Costa, de 24 anos. Ele aguardava na porta da distribuidora havia quatro horas. "Desde o fim de semana a gente não tem mais. Enchi tudo que eu pude lá em casa, coloquei em baldes,  mas tudo já acabou", disse. Costa afirmou ter ficado sabendo por amigos sobre o ponto de venda recém abastecido e não hesitou em ir ao local. "Não estamos encontrando água em lugar nenhum."

Com trigêmeos de três meses em casa, a ajudante de cozinha Daniela de Souza, de 29 anos, pediu um copo de água na distribuidora para dar a uma das filhas que estava com ela. "Estamos comprando água filtrada para os bebês. O problema agora é que não chega nada de água em casa, não dá para ferver. Tenho que pedir à esposa do meu primo um copo de água por dia para cada bebê e me virar assim. Hoje, ninguém está dando água para ninguém", disse.

A auxiliar de escola Maria Aparecida de Souza, de 45, aguardava a vez com a filha, a costureira Taynâ Helina de Souza, de 25. "Já vínhamos enfrentando problemas com água antes disso que aconteceu com o rio. O que aconteceu agora foi uma piora e ainda mais nessa época com altas temperaturas", disse Maria.

O fornecedor Yuri Dutra da Silva, de 21 anos, estimou em 250 garrafões por hora a venda dos últimos dois dias. "A situação vai piorar. Anota o que estou dizendo. A caixa d'água do pessoal está secando e a calamidade só vai piorar. Estão dizendo que pode levar até 45 dias para a gente voltar ao normal. Vai ser bem difícil", disse Silva.

A Polícia Civil de Governador Valadares informou estar monitorando as denúncias de saque a mercados e distribuidoras, assim como casos de sobrepreço de água. "Vamos compilar todas as informações que chegarem, mas não há registros de saques até o momento. Quanto ao sobrepreço,  estamos percorrendo estabelecimentos para informar que a prática configura crime contra a economia popular, cuja pena chega a dois anos", disse o delegado da cidade, Bernardo Pena Sales.

O colapso no abastecimento em Governador Valadares afeta cerca de 296 mil pessoas que moram na cidade. Caminhões-pipa abastecidos em cidades até 100 quilômetros distantes estão socorrendo pontos mais vulneráveis da região, como hospitais e abrigos. A administração municipal informou não ter definido ainda a logística de oferta de água para a população em geral, que desde segunda-feira está com torneiras secas.

 

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