NILTON FUKUDA/ESTADão
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Venezuelanos são suspeitos de 65% dos crimes em Pacaraima

Entre janeiro e agosto, foram registrados 1.136 boletins de ocorrência na cidade, dos quais 738 teriam sido cometidos por venezuelanos

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2018 | 03h00

Os venezuelanos são suspeitos de cometer 65% dos crimes registrados em Pacaraima neste ano, conforme dados da Polícia Civil de Roraima. Com argumento de escalada da violência, a cidade tem vivido em clima de tensão, com moradores pedindo expulsão de imigrantes. No dia 20, refugiados chegaram a ter barracas incendiadas.

Entre janeiro e agosto, foram registrados 1.136 boletins de ocorrência em Pacaraima, dos quais 738 (ou 65%) teriam sido cometidos por venezuelanos. Mesmo com o ano incompleto, o número é quase seis vezes maior do que em todo o ano de 2016, início do fluxo migratório, quando houve, ao todo, 128 casos com estrangeiros suspeitos. Neste ano, foram instaurados 69 inquéritos no município: 39 venezuelanos foram presos em flagrante ou indiciados. 

Os dados informados ao Estado, porém, não especificam quais os tipos de crimes registrados. Por isso, não é possível saber se representam delitos com emprego de violência. “A maioria é de crimes de roubo, furto, lesão corporal e ameaça”, publicou a delegada geral Giuliana Castro Lima, no Facebook. “Também foram registrados estupros, violência doméstica, violência contra crianças, tráfico de drogas e tentativa de homicídio, entre outros”, escreveu, sem indicar o quantitativo.

“É natural: quando existe maior número de pessoas, há aumento de alguns índices de violência”, diz o professor da UFRR João Carlos Jarochinski, especialista em Relações Internacionais. Pacaraima tem população estimada de 15,5 mil pessoas. Calcula-se que cerca de 6 mil venezuelanos estejam lá.

O caso mais emblemático foi o assalto ao comerciante Raimundo Nonato de Oliveira, agredido a pauladas supostamente por venezuelanos. Tanto o crime quanto a reação de moradores, que destruíram o acampamento de refugiados no dia seguinte, são alvo de investigações policiais. 

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