Ventania interrompe travessia entre Ilhabela e São Sebastião

Temporal que tomou conta do litoral dobrou a velocidade dos ventos, suspendendo o serviço de balsas

Simone Menocchi, Agência Estado

04 de janeiro de 2009 | 15h56

A travessia de balsa entre Ilhabela e São Sebastião, no Litoral Norte Paulista, teve que ser interditada por três vezes neste sábado, 3, por conta do temporal que se formou na região. Ventos de 61 km/h, com rajadas que chegaram a 70 km/hora e arrancaram árvores em Ilhabela, foram os motivos da interdição. De acordo com a Capitania dos Portos, as embarcações podem seguir viagem com ventos de no máximo 39 km/hora.   Fotos: Jonne Roriz/AE   A partir da meia-noite de domingo um temporal tomou conta da região litorânea e a velocidade dos ventos praticamente dobrou, obrigando a Dersa a cumprir o que determina a Capitania dos Portos e suspender, por tempo indeterminado, a travessia. A primeira paralisação aconteceu da meia-noite às 10h30 da manhã de domingo. A passagem foi então liberada, mas durou pouco.   Uma nova ventania mais uma vez impediu que as cinco embarcações fossem paradas das 11h15 às 12h20. Por volta do meio-dia e meia o serviço foi retomado e parou de novo, das 14h15 às 14h35 pelo mesmo motivo. Nas três vezes que foi liberada, a Polícia Militar ajudou na organização da fila e também da passagem. Foi dada prioridade a pessoas que tinham vôos marcados ou outras necessidades. A Dersa também sugeriu, com base no mau tempo, que os turistas que pudessem prorrogassem a saída para segunda-feira. Mesmo assim, a espera foi grande. Foram cerca de oito quilômetros de congestionamento do lado de Ilhabela. Pelo menos 5 mil veículos fariam a passagem no domingo se o tráfego estivesse normalizado.     O publicitário Guilherme de Matos Mitsugui e a namorada Marina Falácio tiveram que esperar 12 horas para conseguir passar de Ilhabela para São Sebastião. O casal, que voltaria para São Paulo na manhã de sábado resolveu aproveitar o inesperado sol e prorrogar a saída para a madrugada de domingo. Acordaram às 3 da manhã e foram para a balsa acreditando ter feito um bom negócio. "Achamos que assim poderíamos pegar menos trânsito. Quando chegamos nem tinha tanta gente, mas aí a travessia estava parada. Mesmo assim decidimos esperar e acabamos dormindo". Para não perder lugar na fila, que ficou parada por 10 horas, Guilherme e Marina se revezavam no volante e acabaram amanhecendo parados, no mesmo lugar. "Foram 10 horas no mesmo ponto, andando as vezes, poucos metros". Por volta das 15 horas o casal conseguiu chegar a São Sebastião para então seguir viagem para São Paulo.     O casal de Bauru, Felipe e Laura Carvalho teve mais sorte. A saída estava prevista para a manhã de domingo, mas eles decidiram antecipar a volta em dois dias, principalmente por conta do mau tempo da sexta-feira. "Como não estava sol na sexta, decidimos voltar antes, e tivemos sorte", disse o bancário Felipe Carvalho. A passagem pela balsa, até São Sebastião, durou cerca de uma hora e o casal seguiu viagem até Bauru, enfrentando bastante transito na Tamoios. "Mesmo assim valeu, senão, teríamos passado horas na fila".   De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe) a formação de uma onda frontal subtropical - sistema semelhante a uma frente fria - derrubou as temperaturas e provocou ventos fortes desde o Estado de Santa Catarina até o Litoral de São Paulo.   Depois de enfrentar as ininterruptas horas na travessia, os motoristas ainda tiveram que ter paciência no percurso da SP 55, ate Caraguatatuba e também na serra da rodovia dos Tamoios (SP99). Foram cerca de 32 mil veículos subindo em direção a São Paulo, com alguns pontos de lentidão. Carros quebrados no acostamento ajudavam a complicar o transito. Na volta de Ubatuba, o motorista também enfrentou bastante movimentação, mas a viagem até Taubaté seguiu tranqüila. Passaram pela rodovia até às 16 horas cerca de 8 mil carros.

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