Verba para cidades alagadas no NE supera tragédias do Rio e SC

Lula liberou R$ 550 mi para Alagoas e Pernambuco, valor superior aos R$ 440 mi prometidos ao Rio em abril e aos R$ 360 destinados a Santa Catarina em 2008

estadão.com.br

24 de junho de 2010 | 13h56

 

Lula percorre áreas alagadas em Pernambuco. Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

RECIFE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se por cerca de uma hora com os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB) e ministros na Base Aérea de Recife nesta quinta-feira, 24. Lula disse que vai liberar imediatamente R$ 550 milhões para os dois Estados - valor superior aos R$ 440 milhões prometido ao Rio, em duas parcelas, em abril, e aos R$ 360 milhões prometidos para Santa Catarina em 2008.

 

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Com mais de três horas de atraso, o presidente chegou ao município metropolitano de Rio Largo, em Alagoas, e não gostou do roteiro previsto pelo seu cerimonial: ver o rompimento de uma antiga barragem no rio Mundaú e a destruição do asfalto da via principal de acesso da cidade e da linha férrea, a partir de uma área mais alta da cidade, no centro. "Não quero ver barragem, barragem a gente conserta" disse ele, ao chegar ao local, de acordo com os integrantes da comitiva que estavam ao seu lado.

 

Imediatamente, Lula voltou ao carro para ir visitar uma área devastada pela enchente do sábado, a Ilha Angelita. Ele afirmou querer ver de perto o sofrimento das pessoas.

 

No local, andou sobre destroços, lama, lixo, sentiu o mau cheiro que domina o local. Entrou em duas das casas que não foram totalmente derrubadas pelas águas, perguntou a situação das famílias e ao ser abordado por um rapaz que disse ter sido demitido há um ano e oito meses sem ter ainda recebido o seu FGTS, exclamou: "Tá ca bobônica". Chamou um assessor que pegou os dados de Almir José Paulino, que foi dispensado da Usina Utinga Leão, para ver o que pode ser feito.

 

"Isso é que é um presidente", "esse presidente é povão mesmo" gritavam as pessoas que o acompanharam e o aplaudiam. Cento e cinquenta ex-moradores da Ilha Angelita que estão abrigados na escola municipal Evanda Carneiro foram visitados pelo presidente, em seguida.

 

Ele ouviu os pedidos de casa e ajuda de três deles, abraçou crianças, e prometeu ações rápidas, com o compromisso de que os desabrigados não voltarão a morar em áreas ribeirinhas e de risco.

 

Candidato a governador de Alagoas, o senador Fernando Collor (PTB), integrava a comitiva e comentou a atitude inesperada de presidente: "é um gesto próprio de um homem que conhece o sentimento do povo, um homem de sensibilidade".Indagado acerca da responsabilidade pelas enchentes que afetou a vida de 181 mil alagoanos, ele respondeu: "não se pode culpar a natureza."  

 

 

Texto atualizado às 18h25. (Com reportagem de Angela Lacerda e Edmar Melo, de O Estado de S. Paulo)

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