Verba para moradia era desviada no interior de SP

Recursos repassados pelo Governo do Estado para a construção de 55 moradias populares na Aldeia do Jaó, em Itapeva, a 185 quilômetros de São Paulo, vinham sendo desviados há mais de dois anos pelas pessoas encarregadas da liberação das verbas. A comunidade foi reconhecida como remanescente de quilombo, e sua população recebe ajuda governamental. A denúncia dos desvios, feita pelo líder da comunidade, Hilário Martins, está sendo investigada pela Delegacia Seccional de Polícia.As parcelas, de R$ 120,00 por mês para cada família, era repassada à agência local da Caixa Econômica Estadual, mas não chegava aos quilombolas. Um dos suspeitos, o funcionário público Robinson José da Silva, integrante do quadro da Secretaria de Assistência Social da prefeitura de Itapeva, abandonou o emprego e deixou a cidade. Ele é acusado de ter embolsado pelo menos R$ 4.320,00, ao receber as parcelas e não destinar o dinheiro às famílias. Segundo uma sindicância aberta pela prefeitura, Silva apresentava-se na agência como representante de alguns moradores e alegava que eles não tinham condições de ir ao banco. "Não entendo porque a agência pagou um boleto nominal a outra pessoa", disse o presidente do conselho municipal de assistência social, que fiscaliza o convênio, Waldemar Ferreira Pinto. A assinatura do funcionário aparece nos boletos de saque dessas verbas na agência da Caixa. O banco também abriu sindicância interna para apurar a participação de funcionários. O líder Martins acredita que há mais pessoas envolvidas. "O dinheiro que sumiu é muito mais que o valor desviado pelo funcionário da prefeitura", diz. Ele conta que os representantes do governo iam ao bairro e pressionavam os moradores para que terminassem as casas. "Eles perguntavam o que a gente estava fazendo com o dinheiro, pois as casas nunca ficavam prontas." Em razão do desvio, o governo suspendeu a liberação de recursos. Em dois programas anteriores, os moradores do Jaó também acabaram perdendo o dinheiro liberado pelo governo. O primeiro projeto, de piscicultura, tinha como objetivo melhorar a alimentação e a renda dos 250 quilombolas. Os tanques foram construídos, mas não havia água suficiente para a criação dos peixes. No ano passado, os moradores foram convencidos a comprar, com dinheiro público, 25 vacas de leite e um touro. As vacas eram holandesas, de alta produtividade, e o touro, de raça. Não havia pasto suficiente e, com a forte estiagem da entressafra, os animais morreram de fome.

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