Vereador esconde ''palacete imperial''

Kamia não declarou à Justiça casa avaliada em R$ 2 mi

Fábio Leite, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

Reeleito com 29.915 votos, o vereador Ushitaro Kamia (DEM), de 62 anos, corre risco de ter o mandato cassado por não ter declarado à Justiça Eleitoral uma mansão avaliada em R$ 2 milhões. Conhecido como "palacete imperial" por causa da arquitetura japonesa, o imóvel fica num condomínio na Serra da Cantareira, zona norte de São Paulo. O caso será investigado pelo Ministério Público Eleitoral. A Corregedoria da Câmara aguarda denúncia formal.Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Kamia confirmou ser o dono do imóvel, mas se enrolou ao responder por que não o declarou. Ele disse que a mansão estava em seu nome. Depois, alegou que a comprou no nome do cunhado e agora aguardava pela transferência. À Justiça Eleitoral Kamia declarou possuir um apartamento no valor de R$ 118,69 mil, na Avenida Nova Cantareira, e três carros, que somam R$ 80 mil. Ou seja, um patrimônio de R$ 198.694.A reportagem procurou Kamia, mas sua Assessoria de Imprensa disse que ele não se pronunciaria sobre o caso. Segundo reportagem da Rádio Bandeirantes, o imóvel de três andares tem 500 metros quadrados, três suítes, salão de festa, sala de meditação, piscina com cascata, avaliada em R$ 200 mil, e deverá contar com dois elevadores panorâmicos. Na TV, a Bandeirantes exibiu cenas do carro da Câmara Municipal usado por Kamia sendo carregado com material de construção para a obra na casa do vereador.Para o promotor eleitoral Maurício Ribeiro Lopes, o caso é "chocante". "Vamos desarquivar o processo de prestação de contas dele. Pretendo ouvi-lo e, se for constatada a omissão do imóvel, ele poderá ser responsabilizado, até mesmo criminalmente." Lopes avalia que a infração pode ser mais grave se ficar constatado que o imóvel foi comprado no nome do cunhado. "Trata-se de falsidade ideológica." O vereador pode pegar até 5 anos de prisão e perder o mandato.Corregedor da Câmara Municipal, Wadih Mutran (PP) disse que notícias veiculadas na imprensa não são suficientes para abrir investigação. Ele aguarda uma denúncia formal. "Isso nunca aconteceu."

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