Vereador expulso do PT promete "independência"

Uma posição de independência. Assim o vereador Carlos Giannazi define sua relação com a bancada governista na Câmara e a prefeita Marta Suplicy (PT), daqui pra frente. "O que for bom para a cidade eu voto a favor, e o que for ruim eu voto contra", disse o vereador, na entrevista coletiva que concedeu hoje, na Câmara Municipal. Visivelmente magoado com a situação, Giannazi disparou contra a prefeita e o grupo de vereadores mais ligado ao Executivo.Como um desabafo, voltou a afrimar que a prefeita foi uma das reponsáveis por sua expulsão, e que ela descumpriu o programa de governo em relação à política de educação para a cidade, causa que pretende continuar defendendo, no PT ou não. "O que valeu foi a opinião da prefeita e de sua infantaria para me expulsar", disse Giannazi. "Em nenhum momento houve aceno da direção do PT em negociar qualquer coisa", completou. "O que houve foi um jogo de cena para demonstrar essa possibilidade."O parlamentar também aproveitou a ocasião para criticar seus adversários na Câmara, acusando vereadores de manter controle político nas administrações regionais. "Todo mundo sabe que as administrações regionais representam uma força política na Câmara", disse. "O Tatto (Arselino Tatto, atual líder do PT) mantém influência na regional da Capela do Socorro e o Ítalo (Ítalo Cardoso) em Cidade Ademar, e todos os vereadores da base governista têm cargos no governo." Os parlamentares negam a acusação. "Cabe à prefeita nomear quem ela quiser, e jamais existiu essa política do toma-lá-dá-cá", disse Tatto.Em relação à prefeita Marta Suplicy, o vereador expulso chegou a compará-la com o ex-prefeito Celso Pitta (PSL). "A administração Marta é 10% melhor que a do Pitta, enquanto esperávamos que ela fosse 100% melhor." O governo municipal, segundo ele, também deve atingir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência. "Se o governo continuar assim, aqui em São Paulo o Lula será dizimado."Ele também fez uma provocação direta à prefeita ao afirmar que o primeiro projeto do Executivo que será contra é o projeto de lei 69, que autoriza a contratação de estrangeiros para o serviço público municipal. Nos bastidores da Câmara, o comentário é de que o projeto foi elaborado para beneficiar o namorado da prefeita, Luiz Favre, hipótese negada pelo governo. "Enquanto há milhões de brasileiros desempregados, porque beneficiar os estrangeiros?", disse Giannazi.O próximo passo de Giannazi será recorrer ao diretório estadual para tentar reverter sua expulsão. Nos próximos dias, ele enviará a representação para ser julgada pelo diretório. O vereador afirma que está com esperanças de reverter sua situação. "No diretório estadual, o grupo da prefeita não tem poder", justificou.Segundo o Estado apurou, no dia da votação vários vereadores tentaram encontrar uma solução menos traumática para evitar um desgaste político tanto para o PT, como para o governo, além do próprio Giannazi. O presidente da Câmara, José Eduardo Cardozo (PT) conversou diversas vezes com o presidente nacional do partido, José Dirceu, para tentar chegar a um meio termo sobre a situação A solução mais provável era uma suspensão, que poderia ser de entre seis meses e um ano.O presidente do diretório, Ítalo Cardoso, confirma a articulação para uma pena mais branda. "Fizemos de tudo para que ele não fosse expulso, mas ele não aceitou", disse Cardoso, que nega perseguição política. "Tudo foi amplamente discutido, mas quando ele amassou uma foto do Lula na reunião, a militância não gostou e a expulsão acabou sendo consolidada."Cardoso referiu-se ao momento em que Giannazi, durante sua defesa, amassou uma reportagem em que Lula afirma que o partido deve discutir a contradição "PT governo e PT oposição". Segundo Giannazi, a intenção não foi desrespeitar Lula. "Eu apenas dobrei o papel e perguntei se nada daquilo tinha fundamento."Para Cardoso, a situação, apesar de desagradável, reafirma os conceitos históricos. "Não existe no PT nenhum militante que é maior que o partido", afirmou.

Agencia Estado,

17 de abril de 2002 | 19h34

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