Vereadora diz que está sendo ameaçada de morte

A vereadora Myryam Athie (PMDB) encaminhou nesta terça-feira à Mesa Diretora uma carta onde afirma que vem recebendo ameaças de morte pelo telefonecelular. Apesar de frisar que não podia culpar nenhum vereador do plenário pelas ameaças, ela disse, em entrevista, que não sabe se "é o meu trabalho ou as idéias que defendo" que ocasionaram os telefonemas anônimos.De acordo com Myryam, ao todo ela já recebeu quatro ameaças. No dia 18 de julho, a vereadora foi mantida como refém em sua casa por dez homens, durante um assalto. Após o crime, passou a andar com seguranças. Mesmo assim, em setembro, seu carro foi fechado por um Vectra preto sem placas, na Avenida Radial Leste."No sábado eu peguei uma mensagem no meu celular e tinha mais uma ameaça", disse. A ameaça,ouvida pela reportagem, são dois disparos, supostamente de revólver, sem ninguémfalando. Nas outras ameaças por telefone, uma voz dizia que "a história ainda não acabou".Myryam disse que já pediu à Justiça a identificação das chamadas telefônicas. O presidente da Câmara, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), disse nesta terça-feiraque a carta da vereadora será remetida nesta quarta para a Procuradoria-Geral de Justiça e paraa Secretaria de Segurança Pública, para que ambos possam investigar o caso.Além disso, a assessoria militar da Casa foi acionada para prestar proteção à parlamentar."Tomaremos todas as medidas necessárias para cuidar da segurança da vereadora", disse Cardozo.Nesta terça, antes de tornar públicas as ameaças que vem sofrendo, Myryam foi ao plenário e afirmou que não segue mais as orientações do líder de seu partido na Casa, Milton Leite (PMDB). "Eu não acato mais a liderança do PMDB por não concordar com os trabalhos do PMDB", afirmou a vereadora."Só o Milton (Leite) indica (dentro do partido), e não aceito mais as determinações e instruções do líder do PMDB. Se os outros vereadores acatam é problema deles."O motivo do racha entre os dois teriam sidoas indicações do partido para a comissão que vai analisar os dois pedidos de impeachment contra a prefeita Marta Suplicy que tramitam na Casa.Para Milton Leite, Myryam tem todo direito e liberdade de não acatar as determinações partidárias do PMDB. "É um direito da vereadora", afirmou Leite. "Ela tem até liberdade de se desligar do partido. O problema é que ela quer se impor dentro da bancada e não compor com os seus integrantes." De acordo com Myryam, ela continuafiliada ao PMDB.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.