Vereadores aliados de Kassab vão para o PV

Três dos seis ex-tucanos decidem ir para a sigla de Eduardo Jorge, um dos cotados à sucessão do prefeito em 2012

Iuri Pitta, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2011 | 00h00

Três dos seis vereadores de São Paulo que deixaram o PSDB em abril, alegando divergências com a direção do partido no Estado, escolheram como nova legenda o PV, sigla aliada do prefeito Gilberto Kassab e do secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, um dos cotados a ser candidato à Prefeitura em 2012 com apoio da atual gestão.

Coube ao vereador Gilberto Natalini anunciar a decisão ontem, em discurso no plenário da Câmara Municipal. Além dele, Dalton Silvano e Ricardo Teixeira vão formalizar a filiação ao novo partido na sexta-feira. "Estou a caminho do PV porque "fui saído" do PSDB e porque é o partido que tem mais afinidade com meu mandato", afirmou Natalini.

Desde a saída do PSDB, ele e Silvano tinham o PV como primeira opção. Teixeira poderia optar pelo PPS, mas há cerca de 20 dias decidiu seguir os colegas.

Com isso, o PV dobra de tamanho e passa a ser a quarta maior bancada da Câmara, com seis vereadores, se não houver baixas até o fim do prazo de filiação. O risco é se algum dos atuais parlamentares sentir mais chances de ser reeleito por outra legenda.

Para Silvano, a filiação ao PV dá "tranquilidade para a defesa das conquistas da gestão" Kassab, principalmente se Eduardo Jorge for mesmo o candidato apoiado pelo prefeito - no PSD, o vice-governador, Guilherme Afif Domingos, é pré-candidato à Prefeitura.

Natalini é outro que trabalharia pela eleição do atual secretário com afinco: os dois são amigos há mais de 40 anos e foi Eduardo Jorge quem abonou a ficha de filiação do vereador ao PV.

Palanques. Para Kassab, a adesão do trio de vereadores ao PV foi sob medida. Aliados do prefeito afirmam que ele não interferiu na escolha, mas aprovou a decisão dos parlamentares. Enquanto avalia qual será o melhor nome para sua sucessão, Kassab trabalha para construir uma ampla aliança para seu futuro candidato, seja quem for. E o PV é uma das prioridades dessa estratégia.

"Em uma eleição com três ou até quatro nomes fortes, o prefeito quer apoio de um terço da Câmara ao candidato oficial", disse um vereador com bom trânsito na Prefeitura.

Para formar a bancada do PSD, Kassab conta com 5 dos atuais 8 vereadores do DEM e com o presidente da Câmara, o ex-tucano José Police Neto. Com esse número, a nova sigla teria um grupo consistente e não ameaçaria a reeleição dos vereadores, por falta de coeficiente eleitoral.

"O raciocínio é que não adianta o PSD ter uma bancada muito grande, se não conseguir eleger todo mundo", disse um vereador que está a caminho do PSD.

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