Vereadores denunciam concurso público de Dumont (SP)

Um concurso público realizado no início de junho, em Dumont, cidade vizinha de Ribeirão Preto, está gerando polêmica no meio político local. Cinco vereadores de oposição suspeitam de irregularidades e, dois dias antes do exame, registraram um documento, em cartório, apontando os prováveis aprovados. Dos 65 nomes citados, de um total de 590 candidatos, os vereadores acertaram 38, sendo alguns parentes do prefeito Antônio Roque Bálsamo (PSDB), de seu vice e até de ex-cabos eleitorais. Bálsamo defende-se da acusação e afirma que se houve irregularidade, ela será sanada. "Foi tudo normal, como manda a Constituição", disse ele.O vereador Aloísio Antônio Oliveira (PPB) alega que Bálsamo já havia feito contratações sem concurso, logo que assumiu o cargo, e que o concurso foi providenciado apenas para regularizar a situação. Além disso, um projeto seu, sobre nepotismo na administração pública, foi reprovado neste ano. "Por isso suspeitávamos que o concurso pudesse ser fajuto", disse ele. No documento autenticado em cartório, os cinco vereadores não só indicaram que parentes do prefeito seriam aprovados, mas citaram nominalmente todos, seus graus de parentesco e por que outros nomes poderiam ser aprovados.No concurso para professora de educação infantil, com 67 pessoas inscritas, os vereadores acertaram oito dos nove aprovados. Entre os selecionados estavam a sobrinha do vice-prefeito, a sobrinha de um vereador e duas primas de Bálsamo - outra prima sua, indicada na relação, não passou. Em outras áreas, parentes, presidente de partido, candidatos derrotados a vereador e até dois vereadores foram aprovados. "Lutamos para que nenhum cargo na prefeitura seja ocupado por vereadores", afirma Oliveira.O prefeito de Dumont defendeu-se, alegando que, numa cidade pequena, "todos são parentes". Ele disse que não permite falcatruas no serviço público e acrescentou que, dois dias antes do concurso, realizado em 2 de junho, a presidente da Câmara, Virlei Antônia Nocera Fachini (PSDB), havia lhe procurado para pedir dois cargos para cada vereador no concurso. "É mentira, e a Virlei já não o apóia há mais de um ano", disse Oliveira, em defesa da vereadora. "Eles (Oliveira e Virlei) não têm idoneidade moral para me atacarem e nem qualificação para isso", retruca o prefeito.Na semana passada, os vereadores apresentaram a denúncia sobre o concurso ao promotor da Cidadania da Comarca de Ribeirão Preto, Sebastião Sérgio da Silveira, que está avaliando a documentação e, nos próximos dias, decidirá qual atitude irá tomar sobre o caso.

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