Vereadores do PT acusados de lotear cargos

Vereadores da bancada governista na Câmara Municipal estão sendo acusados de uma prática que marcou as administrações dos ex-prefeitos Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (PSL): o loteamento de cargos na administração para aliados do governo no legislativo municipal.O secretário municipal da Saúde, Eduardo Jorge, estaria sendo pressionado por vereadores para distribuir politicamente a direção das futuras autarquias de saúde que devem ser criadas a partir do próximo ano.A criação das cinco autarquias faz parte do projeto de descentralização do atendimento que foi projetado pelo secretário. Segundo o projeto, que precisa ser aprovado pela Câmara Municipal, serão criadas cinco autarquias, uma para cada região da cidade.Cada uma delas será responsável por um determinado número de hospitais e prontos-socorros. Elas terão autonomia administrativa e financeira para realizar licitações e contratações para os órgãos na sua área, seguindo metas e diretrizes estabelecidas pela Secretaria da Saúde.Segundo o vereador Milton Leite (PMDB), inúmeros profissionais da área da saúde estariam fazendo lobby junto a vereadores governistas para serem indicados para a superintendência das autarquias.Esses vereadores, segundo Leite, fazem parte de um grupo que estaria pleiteando o controle político das autarquias. Funcionários da secretaria ouvidos pelo Estado confirmaram a denúncia. "Querem fazer um novo PAS nessa cidade?", perguntou o vereador Leite, referindo-se ao extinto Plano de Atendimento à Saúde, cujos módulos foram distribuídos politicamente para vereadores nos governos Pitta e Maluf.Nesta quarta-feira, o assunto foi discutido na Câmara em um debate entre Eduardo Jorge e os secretários. O debate foi transmitido pela TV São Paulo."Se houver alguma indicação política para as autarquias, esse indicado entra por uma porta e eu saio por outra", ameaçou o secretário."Temos medo de que possa haver pressões políticas para o preenchimento desses cargos, o que seria nocivo para a saúde pública", disse o líder do PSDB, Gilberto Natalini.E aproveitou para criticar o governo. "Não é novidade nessa administração do PT práticas fisiológicas que haviam nos governos Pitta e Maluf."Segundo a oposição, a negociação política estaria retardando a votação do projeto, que já está em condições de ser analisado pelo plenário.Oficialmente, o secretário negou qualquer pressão política. "Isso não aconteceu e nunca vai acontecer", disse Eduardo Jorge. "Qualquer pessoa que ocupar o cargo terá a certeza de sua competência técnica e compromisso com os princípios do governo", completou.A indicação, segundo ele, será de caráter técnico. O titular será escolhido em uma lista tríplice fornecida pela própria Secretaria da Saúde.O líder do governo na Câmara, vereador José Mentor (PT), também negou interferência política no processo. Segundo ele, havia previsão de que o projeto fosse votado na sessão extraordinária que seria realizada nesta quinta à noite.

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