Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Vereadores do Rio aprovam Plano de Cargos e Salários de professores

Do lado de fora da Câmara, docentes e policiais se enfrentaram em manifestação contrária ao projeto; houve 17 prisões e 8 pessoas se feriram

Marcelo Gomes, Adriano Barcelos e Fábio Grellet, O Estado de São Paulo - Atualizado às 8h00 do dia 02/10

01 Outubro 2013 | 14h30

RIO - Em um dos maiores confrontos entre forças de segurança e manifestantes desde junho, bombas explodiram durante toda a tarde e noite de ontem nos três pontos mais frequentados do centro do Rio: a Praça da Cinelândia e as Avenidas Rio Branco e Presidente Vargas. Vidraças foram destruídas e fachadas de bancos, quebradas. Policiais foram xingados e apedrejados e reagiram com spray de pimenta e explosivos. Houve pelo menos 17 prisões e 8 pessoas ficaram feridas.

A manifestação de professores em greve começou cedo nas imediações do Palácio Pedro Ernesto, onde funciona a Câmara. No prédio, à tarde, seria votado o plano de cargos e salários proposto pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB) e rejeitado pela categoria. A área amanheceu ocupada por tropas da Polícia Militar, com os policiais do Batalhão de Choque, especializados em confronto, à frente. Segundo a polícia, foi feito "um cerco de proteção à Câmara".

A repressão aos professores, a integrantes de movimentos sociais e a mascarados, supostamente vinculados aos Black Blocs, mobilizou, segundo a PM, pelo menos 700 policiais. A mobilização convocada pelo Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe) não atingiu o objetivo: no plenário da Câmara, a proposta do prefeito foi aprovada por 36 votos a 3.

A situação, tensa desde a manhã, agravou-se por volta das 14h, quando houve um bate-boca entre um professor e um PM. A polícia tentou prender o manifestante, mas um grupo impediu. Acuados, policiais lançaram as primeiras bombas, dispersando os manifestantes.

Duas horas depois, pessoas começaram a se aglomerar na Rua Alcindo Guanabara, onde há um portão lateral que dá acesso ao pátio interno da Câmara. Um contingente de pelo menos 50 policiais observava a 70 metros de distância. Foi quando os manifestantes jogaram garrafas e forçaram o portão. Os PMs atacaram com bombas de efeito moral e gás pimenta. O grupo correu em direção à Praça Floriano, o coração da Cinelândia, repleta de manifestantes. Houve confronto direto. Um grupo de mascarados montou barricadas com pranchas de madeira. Eles lançavam pedras e devolviam aos chutes as bombas que não explodiam.

Às 22h30, cerca de cem manifestantes continuavam nas imediações da Câmara, e a PM combatia tumultos com bombas de efeito moral. Em nota, a Polícia Militar afirmou que 17 pessoas foram detidas ao longo do dia. Não havia entre elas nenhum professor, e dois dos detidos tinham mandados de prisão.

Quatro policiais foram feridos e atendidos no Hospital Central da PM. Um deles foi atingido por um peso de papel de meio quilo. Pelo menos quatro manifestantes se feriram, e dois deles dizem ter sido atingidos por balas de borracha. A PM nega ter usado essas armas e diz ter usado apenas artefatos não-letais (gás de pimenta e granadas de efeito moral).

Votação. Em entrevista à Rádio CBN, o prefeito Eduardo Paes acusou o Sepe de atuar com objetivos políticos. Paes disse que a instituição é comandada por militantes do PSOL, derrotados por ele em 2012.Ele acrescentou que "a maioria" dos dirigentes sindicais "não é nem professor da rede municipal".

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