Vereadores paulistanos brigam na Câmara do Rio

Advogado reclama que levou cabeçada de Adilson Amadeu; petebista foi ao Rio com Wadih Mutran (PP) ouvir empresário carioca e nega agressão

Sérgio Duran e Talita Figueiredo, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Em diligência ao Rio, o vereador Adilson Amadeu (PTB) entrou em confronto físico com o advogado e ex-deputado federal pelo PT Airton Soares. A cena, testemunhada por cerca de 20 pessoas e gravada por circuito interno, aconteceu na Câmara Municipal do Rio, que cedeu sala para uma sessão extraordinária da Comissão Parlamentar de Inquérito do ISS, de manhã. Soares afirma ter levado uma cabeçada de Amadeu, que o desmente. O assunto dominou a sessão plenária de ontem, em São Paulo. Vereadores dizem que a briga configura falta de decoro de Amadeu.O parlamentar acompanhava o presidente da CPI, Wadih Mutran (PP), na tentativa de ouvir o acionista majoritário do Grupo Multiplan, Isaac Peres, que mora na capital fluminense. Os vereadores investigam as empresas de Peres, que incluem dez shoppings no País, incluindo o MorumbiShopping, por suspeitarem de sonegação de ISS na Hot Zone, rede de franquias de jogos eletrônicos, outro braço do grupo financeiro.O relato de Soares e das assessoras de Imprensa do vereador e da Multiplan, presentes, convergem. Apenas a agressão não é confirmada pela assistente de Amadeu. A briga começou porque o advogado pediu para gravar em vídeo a sessão com equipe própria e havia montado os equipamentos.Irritado, Mutran começou a explicar o objetivo da sessão e a importância de ouvir Peres, quando foi interpelado por Soares, que pediu a palavra. "Falei que era um absurdo fazer aquilo porque o grupo já havia fornecido todas as informações", conta Soares.Nesse momento, Amadeu teria saído do lado de Mutran, dirigindo-se até o advogado e dado a cabeçada. "Em seguida, ele se jogou no chão se dizendo agredido por mim", diz. "Depois disso, os ânimos foram se acalmando e a sessão acabou ali mesmo."Amadeu não confirma a agressão e diz que Soares levou um grupo de pessoas à Câmara do Rio para intimidar os parlamentares paulistanos. Eles teriam sido obrigados a sair pela porta dos fundos porque eram aguardados por esse grupo, formado por cerca de dez pessoas.O vereador registrou ocorrência na 5º Delegacia de Polícia, acusando o advogado de desacato a autoridade. Soares encaminhava-se no fim da tarde para o 1º Distrito Policial, próximo da Câmara, para acusar Amadeu de agressão física."O senhor Airton Soares é que dava socos na mesa e gritava conosco, dizendo que nosso trabalho era ilegal, era uma palhaçada. Ele começou a ofender o presidente (Mutran). Disse que ia prestar queixa contra mim, mas não tem marca de agressão", afirma Amadeu.Segundo ele, o empresário Isaac Peres já foi convidado a depor três vezes e, apenas numa delas, enviou representante, que não teria conseguido esclarecer todas as dúvidas dos vereadores. "Há perguntas que só ele pode responder e ele se nega a comparecer. Já solicitamos até condução coercitiva (feita por policiais), mas ele nunca é encontrado", disse o assessor jurídico Carlos Hoty.

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