Veredicto de julgamento de PM por chacina sairá nesta tarde

A juíza do Tribunal do Júri de Nova Iguaçu, Elizabeth Louro, anunciou na tarde desta quarta-feira, 23, que a sentença do policial militar Carlos Jorge Carvalho, acusado de participação na Chacina da Baixada, sairá dentro de duas horas. A magistrada e os sete jurados irão se reunir na sala secreta para que eles respondam a 184 quesitos quanto à autoria dos crimes (29 homicídios duplamente qualificados, uma tentativa de homicídio e formação de quadrilha), quanto às qualificadoras e aos possíveis atenuantes. O debate entre a acusação e a defesa terminou por volta de 15 horas. A promotoria enfocou as provas periciais, já a acusação tentou desqualificar o trabalho da perícia e o relato das testemunhas de acusação.TestemunhasNa terça-feira, 22, segundo dia do julgamento, foram ouvidas as testemunhas, quatro de defesa e três de acusação. A principal voz em defesa do soldado foi Marcos Antônio Carneiro, comerciante, seu amigo desde a infância. Carneiro endossou toda a versão apresentada por Carvalho - de que ele pegou seu carro (o Gol prata usado na chacina, segundo o Ministério Público) para ir a Barra de São João e de que devolveu no dia seguinte, como combinado.Outra testemunha de defesa a depor foi o deputado Paulo Ramos (PDT), que fez duras críticas à atuação da perícia. Afirmou que a chacina teve motivações políticas. Na acusação, uma das testemunhas a depor foi C.H.S., único sobrevivente da chacina, também depôs e reconheceu o PM. "Foi Carlos Carvalho", disse, apontando Carvalho como o homem que atirou em sua perna. C.H.S, de 45 anos, ficou traumatizado depois do crime e perdeu a memória, mas recuperado, decidiu falar pela primeira vez no processo.O soldado, que se declarou inocente no primeiro dia de julgamento na última segunda-feira, é acusado de 29 homicídios duplamente qualificados - cometido por motivo fútil (demonstração de força na Baixada Fluminense) e com recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas -, uma tentativa de homicídio e formação de quadrilha. A chacina ocorreu na noite de 31 de março de 2005, nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Vinte e nove pessoas foram assassinadas e uma ficou ferida.

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