Veredicto do caso Friedenbach deve sair na madrugada

A juíza do caso do assassinato e do seqüestro de Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em outubro de 2003, no município de Embu Guaçu, na Grande São Paulo, decidiu que o julgamento dos três dos cinco acusado de matar o casal vai continuar hoje, até o fim. Mesmo que para isso seja preciso varar a madrugada.De acordo com a Rádio Eldorado, a primeira parte do julgamento já foi encerrada. A acusação e a defesa já apresentaram seus argumentos. Neste momento, o julgamento prossegue com a segunda fase dos debates entre defesa e acusação. Esta é a fase da réplica da acusação, que tem duração de uma hora. Logo depois, a defesa terá direito a uma hora de tréplica.Depois disso, os jurados se reúnem para decidir o veredicto. Só então, a juíza vai proferir a sentença e decidir as penas dos acusados, caso sejam condenados. O diaValeu de tudo hoje para convencer os sete jurados sobre a violência do crime cometido contra o casal Liana Friedenbach, de 16 anos, e Felippe Caffé, de 19, mortos em novembro de 2003. Durante o julgamento de três dos cinco acusados, a promotora Helena Bonilha Toledo Leite mostrou fotos e slides dos corpos dos jovens, além de imagens de quando estavam vivos. A promotora também exibiu as armas do crime: a faca usada por R.A.A.C., o Champinha, então com 16 anos, para matar Liana, e a espingarda que tirou a vida de Felippe. Helena tentou sensibilizar os jurados - seis homens e uma mulher - mostrando um bilhete de amor da garota para o namorado. No texto, a jovem dizia o quanto amava o rapaz e que estava feliz a seu lado. O júri também viu as roupas usadas pelo casal na época do crime e por Champinha. Foi muito para a enfermeira Lenice Caffé, mãe de Felippe. Emocionada, ela chorou ao ver as fotos do rapaz sem vida. "Apesar de ter liberado o corpo do meu filho no IML (Instituto Médico-Legal), não tinha visto essas fotos. São muito fortes." Além de emocionada, Lenice estava indignada com os acusados. "Senti desprezo quando os vi. A sensação é de muito desprezo", descreveu. Ela defendeu com veemência a pena máxima para os criminosos, mas admitiu que isso é só um paliativo. "Nunca vai existir pena máxima para uma mãe que perde um filho assassinado. Mas é isso que eles merecem." Autopreservação Ao contrário de Lenice, o pai de Liana, Ari Friedenbach, não assistiu ao julgamento hoje, mas, usando uma camiseta com a foto da filha, estava igualmente emocionado. Ele alegou não ter condições emocionais de olhar para os assassinos. "Não tenho saúde para isso. É uma autopreservação", disse ele, emocionado. Friedenbach contou que estava revivendo o luto. "É como perder de novo", afirmou, quase chorando. O advogado evitou saber detalhes da violência sofrida pela filha nos quatro dias em que esteve nas mãos de Champinha e seu bando. Sobre o adolescente, que não será julgado por ser menor na época do crime, disse esperar que ele seja encaminhado para um manicômio judiciário, depois de sair da Febem. "É o único lugar apropriado para esse verme", desabafou. Dois acusados, Agnaldo Pires, conhecido como o Velho, e Antonio Caitano da Silva, o Tonho, ficaram o tempo todo de cabeça baixa. Antonio Matias, o Nojento, sobre o qual pesam menos acusações, manteve-se com a cabeça erguida. Eles são acusados de estupro, seqüestro e cárcere privado. Os dois primeiros podem ser enquadrados na Lei de Crimes Hediondos. Os três, que passaram a noite anterior em uma delegacia, chegaram hoje à Câmara Municipal, onde está sendo realizado o julgamento, às 8h50.O crimeLiana e Felipe desapareceram no dia 31 de outubro de 2003. Eles acampavam em uma região isolada de Embu-Guaçu quando foram seqüestrados e mantidos em um sítio. Felipe Caffé, com 19 anos na época, foi morto por Pernambuco dois dias depois, com um tiro na nuca.Liana, com 16, foi violentada por todos os réus e pelo adolescente e morta a facadas cinco dias após o seqüestro. Os corpos do casal só seriam encontrados no dia 10 de novembro de 2003.

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