Vernissage com rottweiler na porta e baguetes na cabeça

Tatsumi Orimoto faz tributo às mães nipo-brasileiras

Jotabê Medeiros, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

11 de janeiro de 2008 | 00h00

Havia um rottweiler chamado Tó na portaria principal. Seguranças em todos os quadrantes do museu, carrões pretos estacionados lado a lado no vão livre. Mas na reabertura oficial do Masp, após 22 dias, a vedete foi um divertido artista japonês, Tatsumi Orimoto. O presidente do museu, Julio Neves, fez o discurso de reabertura, acompanhado pelo prefeito Gilberto Kassab. Neves convidou o artista japonês para falar. E ele foi sucinto: "Minha mãe ficou no Japão. Tenho de voltar rápido", disse. Na arte dele, a personagem preponderante é a própria mãe, que fotografa, filma, "veste" com baguetes, câmaras de ar de pneus, na sala, no jardim, dentro de um trator. Após agradecer as gentilezas, o artista se declarou à cidade de São Paulo, na qual já esteve duas vezes, na Bienal de Arte. "I love São Paulo", disse. O prefeito Kassab não deixou passar. "We love japanese people (Nós amamos o povo japonês)", respondeu.Performático, Orimoto iniciou a mostra oferecendo um jantar para cerca de 50 mães nipo-brasileiras (uma delas de 99 anos). Logo a seguir, começou um tour pela mostra, conduzindo as mulheres em cortejo. O Masp parecia ficar na Liberdade: conforme a voz de comando de Orimoto, o pelotão de senhoras nipo-brasileiras levantava os braços coreograficamente e gritava "Banzai", a saudação japonesa ao celebrar uma vitória. Como um guia da instituição, brandindo uma toalha amarela nas mãos, Orimoto conduzia todas as convidadas em bloco. De vez em quando, parava e falava algo em japonês e todas riam. O bloco de repórteres nipo-brasileiros e japoneses atrás do cortejo, piedosamente, fazia às vezes a tradução. "Ele disse: as noras não cuidam das mães, só os filhos", explicam.Pouco antes de encerrar o passeio, Orimoto parou no centro do saguão, subiu num banquinho cheio de pães e enfiou dois dedos na boca, soltando um alto assobio. Pediu a todos os presentes que se reunissem. Perguntou às senhoras se alguma delas queria se tornar uma "mulher-pão". Uma voluntária subiu no banquinho e ele amarrou pães em seus rostos. Depois, saiu caminhando e tocando um sininho. Ambos estavam com três baguetes amarradas na cabeça.PARA AS RUASAo fim da performance, Orimoto brincou de luta com um garoto, usando os pães como Darth Vader utiliza os sabres de luz em Guerra nas Estrelas. Tirou os sapatos, ficou andando descalço pela exposição e tirou fotos com famílias inteiras no subsolo, sempre esgrimindo os pães. Hoje, o Masp abre para o público em geral, e Orimoto já considerava ontem a hipótese de fazer a performance em outro local - na rua, mais precisamente no vão livre.

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