Versão de que equipe tem 'homens fortes' incomoda candidata

Dilma Rousseff não esconde a contrariedade com a versão de que um time de conselheiros, formado por "homens fortes", manda e desmanda nela. Embora sua imagem como candidata do PT à Presidência seja moldada pelo marketing político, Dilma diz não se sentir bem vestida no figurino de "boazinha".

Bastidores: Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2010 | 00h00

"Quem manda sou eu", assevera ela, sempre que algum integrante do comitê petista tenta lhe impor uma opinião. A candidata do PT, que já detestava o rótulo de "dama de ferro", odeia mais ainda a imagem de que existe uma espécie de "Rasputin" atrás dela, dando-lhe ordens sobre o que fazer na campanha.

Desde que foi convidado para ser secretário executivo do programa de governo, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, parece assustado com o fogo amigo no PT. "Eu não sou homem forte de nada", apressou-se a dizer ele. "Carrego tijolo aqui. Sou peão."

Apesar de ter assumido a função apenas em julho, licenciando-se da Apex, Teixeira é citado há quatro meses pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, em reuniões com empresários. À época, muitos entenderam que o presidente da Apex seria tesoureiro da campanha. O comitê financeiro, porém, ficou sob a responsabilidade do ex-prefeito de Diadema José de Filippi Jr .

Natural de Porto Alegre, onde Dilma construiu sua carreira política, o triatleta Teixeira tem na agenda telefones de empresários de todos os setores. Amigo da candidata e também do deputado Palocci, ele auxilia outro gaúcho, Marco Aurélio Garcia - assessor especial da Presidência -, a lipoaspirar pontos polêmicos do programa, como a taxação das grandes fortunas.

"Essa medida é inócua", criticou a ex-chefe da Casa Civil, numa alusão ao imposto proposto por seus companheiros. "Cabe ao Congresso decidir questões assim, e não a nós."

Dilma se recusa a confirmar suas apostas para o Ministério, caso ocupe a cadeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na lista dos ministeriáveis, porém, estão mesmo Palocci - cotado para cargos que vão da Casa Civil à Saúde -, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Cardozo integra a coordenação da campanha de Dilma e tem o nome mencionado para a Justiça. Bernardo, que desistiu de concorrer à reeleição como deputado a pedido de Lula, poderá continuar no Planejamento. Há duas apostas para a Fazenda: o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa.

Candidato ao Senado por Minas, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT)chegou a ser escanteado no comando da campanha após fogo amigo no partido. Nem mesmo seus desafetos, porém, acreditam que Dilma o deixará fora da equipe se vencer o embate com José Serra. Há doze dias, o pastor Manoel Ferreira (PR-RJ) apresentou Pimentel como "ministro" aos fiéis da Assembleia de Deus.

No aliado PMDB, o ministeriável da vez é o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco. Do núcleo responsável pela sistematização do programa de governo, Moreira Franco está de olho no Ministério das Cidades, hoje nas mãos do PP.

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