Vestidos de festa encantam plateia

Victor Dzenk é ovacionado; Tessuti aposta na feminilidade; Filhas de Gaia, nas peças justas e Koolture, no brilho

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

Belos vestidos de festa desfilaram pela passarela do Fashion Rio ontem. Naquele que foi considerado o mais aplaudido desfile do terceiro dia da edição outono-inverno 2009, a coleção do estilista mineiro Victor Dzenk homenageou Buenos Aires e sua expressão cultural máxima, o tango. A coleção era quase 100% estampada. As luzes da noite portenha foram transpostas para vestidos esvoaçantes, decotados no busto e nas costas, que lembravam trajes de dança; nos pés das modelos, sapatos próprios para bailar. O desfile teve ainda um toque de luxo: um show da banda Ultratango.Sem qualquer rixa, o sol da bandeira argentina também foi parar nas peças. Jaquetas de couro colorido esquentaram os looks. No lugar das tonalidades fechadas, muito vermelho e azul. Dzenk começou a fazer moda aos 15 anos, numa confecção. Hoje, veste celebridades como Luiza Brunet, Camila Pitanga e Marisa Monte. Também com vestidos de festa, a Tessuti apostou no preto quase total. A marca mesclou referências como o estilista italiano Valentino e a feminilidade de bailarinas e rosas. Flores adornaram cinturas e costas, assim como laçarotes. Entre as peças, vestidos acinturados de vários comprimentos, sobre blusas segunda pele e acompanhados de luvas, casacos de golas estruturadas e blusas românticas. A top Isabeli Fontana abriu e fechou a apresentação. Em seu segundo desfile no Fashion Rio, a Filhas de Gaia trouxe vestidos justos, além de ombros que remetiam aos anos 80. As estilistas Marcela Calmon e Renata Salles - jovens apaixonadas por moda que lançaram a marca em 2005 - vislumbraram seu outono-inverno por meio de vitrais de igrejas góticas. Entre muito preto e tons metalizados, teve lugar até para o amarelo fluorescente. A atriz e modelo Letícia Birkheuer abriu a passarela num tubinho branco. No fim, surgiu com um vestidão preto estruturado na saia. Conhecida por sua moda de festa, a Filhas de Gaia se diz marcada pela "transgressão chique", o que se traduziu em recortes assimétricos e investimento em tecidos nobres, como o cetim de seda pura e o tafetá de seda (lado a lado com couro metalizado e colorido).Daniela Conolly propôs uma retrospectiva da carreira. Sua grife, a Koolture - egressa do Rio Moda Hype, para jovens estilistas, assim como a Filhas de Gaia -, trouxe brilho, cores fechadas (predominaram preto, marrom, grafite e vinho) e saltos assustadoramente altos. Ela pensou em mulheres que a fascinam: de Maria Antonieta a Madonna. "É uma coleção um pouco mais sofisticada, talvez porque eu esteja uma mulher mais madura." A sofisticação surgiu em comprimentos maiores e calças de cintura mais alta. A Maria Bonita Extra, também bastante aplaudida, montou sua coleção "rock realeza" com vestidos de mangas estruturadas, calças e bermudas leves em combinações de rosa, preto, cinza e vermelho discreto. O inverno da marca foi bem leve, sem casacos pesados e com cachecóis fininhos. A Cavendish viajou para Londres para criar seu outono-inverno 2009. Trouxe de lá o cinza, base da coleção. A veterana do Fashion Rio desfilou trenchcoats, coletes, calças de montaria, bermudas, vestidos longos e decotados e elegantes macacões. Algumas peças tinham bordados em metais. Os acessórios não passaram despercebidos: charmosos cordões com pingentes de pássaros e sapatos de couro de avestruz. Desfilam hoje Printing, Marcella Virzi, Cláudia Simões, Cantão, Apoena e Graça Ottoni. A semana de moda carioca vai até sexta-feira.NEGÓCIOSOntem, foi aberta a bolsa de negócios Fashion Business, paralela ao evento. Trinta compradores internacionais foram ao Rio conhecer as coleções de 200 marcas de diferentes pontos do Brasil, do Rio Grande do Sul ao Ceará. Na última edição outono-inverno, há um ano, o volume de vendas internas chegou a R$ 370 milhões, enquanto as exportações, a US$ 15,5 milhões - crescimento de 10% em relação a 2007. Para este ano, não foram feitas projeções por causa da crise internacional.

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