Via Campesina faz protestos em 11 estados contra alterações no Código Florestal

Manifestações fizeram parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas

estadão.com.br

09 Março 2012 | 08h11

SÃO PAULO - As mulheres integrantes da Via Campesina fizeram nesta quinta-feira, 8, Dia Internacional da Mulher, protestos e ocupações em 11 estados e no Distrito Federal contra alterações no Código Florestal.

 

A manifestação serviu para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres, para cobrar da presidenta Dilma Rousseff a realização da Reforma Agrária, um novo modelo agrícola baseado em pequenas propriedades e o veto das mudanças no Código Florestal.

 

As manifestações, que fazem parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, foram realizada em Pernambuco, Sergipe, Ceará, Alagoas, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Santa Catarina, Pará, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Dentre as mobilizações, estão quatro ocupações (de dois latifúndios, um engenho e uma empresa), três protestos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) (com duas ocupações) e quatro marchas.

 

Desde o começo da semana, aconteceram duas marchas (Brasília e Tocantins) e oito ocupações (da Embrapa em Goiás, do Ministério da Fazenda em Porto Alegre, do Incra e do Itesp no interior de São Paulo, do Incra em Marabá e Curitiba, no reservatório da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) em Petrolândia/PE e da fazenda da Suzano em Alcobaça/BA), além de encontros de mulheres.

 

Segundo o Movimento dos Trabalhadores sem-terra (MST), a Via Campesina mobilizou mulheres em Brasília e em 17 estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santos, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Pará, Goiás, Mato Grosso do Sul).

 

Ações nos estados- Três ações marcaram o estado de Pernambuco, nesta quinta-feira. No município de Gameleira, na mata sul do estado, 300 mulheres ocuparam o Engenho Pereira Grande, que pertence a Usina Estreliana, em protesto contra o modelo do monocultivo da cana de açúcar e o trabalho escravo no estado.

 

Já em Petrolina, cerca de 500 camponesas do MST de todo o sertão de Pernambucano ocuparam a fazenda da empresa Copa Fruit. Outras 300 mulheres da Via Campesina também ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Recife.

 

Em Aracaju, cerca de 1.200 mulheres partiram em marcha do assentamento Quissamã, no município de São Cristóvão, para realizar uma manifestação no centro da capital, na sede do Incra. A ação reivindica medidas concretas para a Reforma Agrária. Para isso, as mulheres do MST entregaram uma pauta com reivindicações aos representantes do Incra.

 

Em Maceió, 1.200 trabalhadoras rurais ocuparam a sede do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em Planaltina, no Distrito Federal, 600 trabalhadoras rurais Sem Terra ocuparam, na manhã desta quinta-feira, a fazenda Toca da Raposa, para reivindicar a destinação da área para assentamento e a aceleração do processo de Reforma Agrária.

 

As camponesas denunciam que parte das terras da fazenda pertence à União e foi grilada pelo produtor de soja Mário Zanatta. Em novembro de 2004, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu mais de meia tonelada de agrotóxico contrabandeado no local.

 

Em Belo Horizonte, 500 mulheres da Via Campesina e da Marcha Mundial das Mulheres ocuparam a sede do Incra em Minas Gerais, para cobrar agilidade na Reforma Agrária. Segundo o MST, as 3.700 famílias vivem em condições precárias em 50 áreas de acampamento no estado à espera da reforma agrária. Há seis anos nenhuma área é destinada a este fim em Minas Gerais.

 

Em Fortaleza, 600 mulheres do MST bloquearam a Avenida Washington Soares, no Bairro Edson Queiroz. O protesto exigiu que a presidenta Dilma Rousseff faça um veto integral às mudanças no Código Florestal, propostas pela bancada ruralista no Congresso Nacional.

 

Em São Paulo, cerca de 500 mulheres do MST, junto com diversas entidades parceiras, se reuniram em frente ao Tribunal de Justiça de São Paul, no centro da capital paulista, para denunciar que setores do Poder Judiciário impedem a efetivação da desapropriação de áreas para a criação de assentamentos para a Reforma Agrária. Atualmente, em todo o Brasil, 193 áreas se encontram com processos judiciais que impedem aquisição pelo Incra, somando mais de 986 mil hectares de terras, em todo o País, que dependem da Justiça para a sua liberação para a Reforma Agrária, segundo o MST.

 

Em Dourados, cerca de 200 mulheres de todo estado de Mato Grosso do Sul saíram às ruas em protesto contra o uso de agrotóxicos. Com faixas, cartazes, e batuques, elas fizeram passeata pela avenida Marcelino Pires. Muitas estavam utilizando máscaras de proteção e desenhos em forma de caveira, uma maneira encontrada para demonstrar a preocupação com a saúde no campo.

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