Via rádio, serviços de valets ajudam motoristas a fugir de blitz da lei seca

Empresas que manobram veículos na frente de bares de regiões boêmias de São Paulo têm usado a comunicação via rádio e celular para alertar clientes sobre as blitze da lei seca. Das 30 empresas de valets que prestam serviços na Vila Madalena, na zona oeste, pelo menos nove se comunicam para trocar informações e avisar os freqüentadores das noitadas. "Outro dia fui de carro ao Filial. Na saída, como tinha bebido, pensei em contratar um motorista para me levar para casa", contou um funcionário público que preferiu não se identificar. "O manobrista perguntou para que região da cidade eu ia. Pegou o rádio e, depois, me passou as coordenadas: ?pode ir tranqüilo para o centro, por essa rua e por aquela que não tem perigo?. Deu certo. Não tinha uma viatura no caminho", afirma.Reinaldo da Silva Junior, de 40 anos, gerente do Villas Park, que presta serviços para seis estabelecimentos, incluindo o Filial e o Genésio, na Rua Fidalga, confirma que os manobristas alertam os clientes que deixam os carros aos cuidados da empresa. "A gente orienta quem está pegando o carro para ir para casa: ?olha, evita tal rua, não vai embora por aquela avenida, faz esse ou aquele caminho?", afirma. Junior explica que as informações chegam por meio dos taxistas que fazem ponto na frente dos bares e se deslocam durante toda a noite para levar passageiros para casa. "Se passam em alguma blitze, quando retornam nos dão um toque e a gente joga a informação no rádio."Na Vila Olímpia, a rede de informações é mais informal. "Os clientes perguntam e a gente avisa", confirma um dos valets de um bar localizado na Avenida Hélio Pellegrino. Menos organizados do que na Vila Madalena, os manobristas da zona sul passaram a percorrer a Avenida Brigadeiro Faria Lima e os arredores para informar aos freqüentadores quais são os locais onde acontecem as blitze da Operação Direção Segura, da Polícia Militar.Segundo os funcionários, o movimento de carros nos bares diminuiu significativamente e as dicas são vistas como aconselhamento. "O supervisor passa de carro pela Avenida Juscelino Kubitschek, pela Rua Tabapuã e pela Avenida Santo Amaro e já sabe os locais por onde o cliente não deve passar", explica o manobrista Wagner do Nascimento Tavares, de 34 anos. Os diferentes serviços de valets espalhados pela capital paulista também trocam informações. "Como o mesmo grupo serve outros lugares, eles avisam quando tem blitze por lá", afirma o manobrista Johnny Miranda da Silva, de 20 anos.

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