Viagem entre Rio e SP agora é de ônibus

Medo faz aumentar procura por passagens nas rodoviárias

Roberta Pennafort e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Nos últimos dias, o acidente em Congonhas levou muitos brasileiros a alterar os planos de vôo. Houve gente que trocou o avião pelo carro. Outros evitaram viajar. E quem não conseguiu fugir do transporte aéreo tentou diminuir os riscos, o que, agora, significa evitar o palco da tragédia, o Aeroporto de Congonhas. ''''Todo mundo ficou muito chocado com o acidente, com a falta de cuidado com as pessoas'''', disse Cynthia Howlett, mulher do ator Eduardo Moscovis, que gravaria a participação no programa de entrevistas de Marília Gabriela no canal GNT, na capital paulista, e ficou em casa. Cynthia contou que todas as gravações acabaram sendo remarcadas para a semana que vem, por conta da tragédia. A modelo Marcele Bittar, que estava no Rio participando de uma sessão de fotos, preferiu voltar para São Paulo de carro, conforme confirmou sua agência, a Ten Models. A mesma estratégia usou o compositor Arnaldo Antunes, que estava no Rio, com a mulher, a mineira Márcia Xavier, de 39 anos. Depois de participar das aberturas dos Jogos do Pan, ele marcou a passagem de volta à capital paulista para quarta-feira. O acidente em Congonhas fez com que resolvesse voltar de carro. ''''Ficamos com medo de encarar um vôo depois dessa tragédia. O baixo-astral era muito grande e pensei que poderia tomar um chá de cadeira esperando o embarque'''', disse Márcia. ''''Está na hora do País investir num outro tipo de transporte. Até agora não sei porquê desativaram a linha de trem, que ligava São Paulo ao Rio.'''' Mas quem precisa alcançar longas distâncias em tempo curto fica sem opção. ''''Logo que o avião caiu, minha mãe me perguntou se não ia dar um tempo nas viagens'''', diz o estilista Marcelo Sommer, que viaja freqüentemente para fechar novos negócios. ''''Tenho que viajar por causa do trabalho. Mas eu estou cheio dessa crise da aviação.'''' Na próxima semana, ele tem de ir a Santa Catarina. ''''Viajar depois desse acidente ficou bizarro.'''' Ele pretende evitar voar por Congonhas. No Aeroporto Santos Dumont, de onde decolam 144 vôos diários para Congonhas, o movimento foi bem abaixo do normal ontem, contaram funcionários. Nas rodas de conversa, o terrível fim do vôo 3054 e suas possíveis causas eram o tema predominante. Quem esperava a chegada de parentes e amigos tinha expressão apreensiva. ''''A gente sempre pensa que os acidentes não vão se repetir, mas é claro que preocupa'''', confessou Carlos Cassaro, que aguardava uma prima. Na Rodoviária Novo Rio, as quatro empresas que fazem o trecho Rio-São Paulo registraram aumento na venda de passagens da ordem de 30% desde quarta-feira - uma indicação de que os cariocas estão preferindo ir por terra a se arriscar pelo ar, mesmo que a jornada seja acrescida de cinco horas. ALÍVIO NO SOLO O estudante Felipe Reis, de 24 anos, que foi para São Paulo na quarta-feira e retornou ao Rio ontem, disse que, em ambos os vôos, o tempo todo o clima foi de tensão - embora os passageiros evitassem o assunto. ''''Na terça-feira, o avião ficou sobrevoando Congonhas alguns minutos antes de pousar. As pessoas só relaxaram quando tocamos o solo. Foi um alívio.'''' Enquete DO PORTAL 76% SIM 24% NÃO O acidente com o vôo 3054 em Congonhas aumentou sua preocupação com a segurança dos vôos no País?

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