Viagem pela realidade amazônica

Quando li a notícia do naufrágio do barco no Amazonas lembrei as viagens feitas nos ?recreios? dos Monteiro, uma tradicional família do ramo do transporte de passageiros do Norte. Os ?recreios?, como essas embarcações são conhecidas no longo trecho entre Tabatinga, no Amazonas, a Belém, no Pará, são o principal meio de locomoção dos moradores da região. O Almirante Monteiro, o Manoel Monteiro e o Manoel Monteiro II pertenciam ao empresário Pedro Monteiro de Araújo, que conta com a ajuda da mulher Jarlete e dos filhos para administrar os barcos.Lembro especialmente de uma viagem, em setembro de 2002, quando conheci Jarlete, uma mulher que perdeu os pais ainda criança e, depois de 28 anos dedicados à educação dos filhos, decidiu fazer, segundo ela, o que mais gosta: administrar barcos e viajar pelo ?maior rio do mundo?. Num jantar a bordo, Jarlete falou do risco de assaltos. Naquela noite, 80 passageiros estavam a bordo do Manoel Monteiro II, um barco com 42 metros de extensão, 180 toneladas e 16 tripulantes. Também viajei no Almirante Monteiro. Só a investigação das autoridades vai revelar as condições do barco que afundou. Agora, vale sempre levantar o debate sobre o transporte de passageiros nos rios amazônicos. Não há fiscalização de ?recreios?, não há incentivos à construção de barcos, não há ancoradouros em boas condições.Uma viagem de ?recreio? pode não ser segura, mas forneceria muitos subsídios para autoridades que estivessem a fim de conhecer e melhorar de fato a realidade dos amazônidas.

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