Viajantes passam Réveillon dentro do ônibus

Nada de pular as sete ondas ou participar da ceia junto da família e muito menos o tradicional brinde com champanhe. Os passageiros que deixavam o Terminal Rodoviário do Tietê, hoje, último dia do ano, em direção a cidades distantes, como as do Nordeste ou Minas, não vão ter outra opção a não ser passar o Réveillon dentro do ônibus mesmo. Apesar do clima de desânimo, uma passageira chamava atenção. Toda vestida de branco, a dona de casa Norberta Pessoa da Silva, de 42 anos, e o companheiro Roberto Porfírio de Oliveira, de 51, embarcaram no ônibus das 12h30 em direção a Caruaru, Pernambuco. Roupa branca para a virada do ano"Acho que é muito importante passar o ano de branco, mesmo que dentro do ônibus. Branco é paz. Precisamos disso." Eles devem chegar ao destino depois de mais de 30 horas de viagem, e mesmo assim compraram refrigerante e água para brindar a data. Comemoração à base de água também foi a forma que o auxiliar de serviços gerais Antônio Martins de Souza, de 46 anos, e a mulher, Jovita Gomes de Souza, de 38, escolheram para comemorar 2002. "À meia-noite vamos ´estourar´ esta garrafa de água mineral e desejar que tudo dê certo no novo ano", disse. O casal, que mora em Campinas e embarcou para Minas Novas, nordeste de Minas Gerais, deixou para viajar ontem porque Antônio trabalhou até domingo. A empregada doméstica Aldete dos Santos, de 29 anos, e as filhas Priscila, de 8 anos, e Ana Paula, de 5 , deixaram o terminal às 12h para ver a família em Itororó, sul da Bahia. "Vou ver 2002 chegar da janela do ônibus", disse, aparentemente frustrada. Ela falou que gostaria muito de ter partido antes, mas não achou passagem. Para essas pessoas o Ano Novo não tem tanta importância, o que querem mesmo é chegar ao seu destino o mais rápido possível. O movimento ontem no Terminal do Tietê esteve abaixo do normal. Os dias de maior embarque foram sexta e sábado.

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