Marcos de Paula/AE
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Viciado em crack migra após ocupação de favelas no Rio

Ação policial levou 240 usuários para abrigos municipais, mas só 127 continuam internados; o resto voltou para as ruas

Felipe Werneck - O Estado de S. Paulo,

19 Outubro 2012 | 22h16

RIO DE JANEIRO - Com a ocupação policial nos Complexos de Jacarezinho e Manguinhos, na zona norte do Rio, usuários de crack migraram para viadutos da Avenida Brasil, perto da Ilha do Governador. Eles se escondem atrás de tapumes da obra do BRT Transcarioca, corredor de ônibus que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto do Galeão.

Desde a ocupação, no domingo, 240 usuários foram levados a abrigos da prefeitura. Desses, 224 são adultos (sem obrigação de seguir internados) e 127 continuam nos abrigos. Procurado, o secretário de Saúde, Hans Dohmann, não deu entrevista.

Autorizado pela Justiça, o tratamento compulsório de jovens dependentes é questionado pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP-RJ), que aponta "regresso à lógica manicomial" em abrigos mantidos pela prefeitura. Há 178 vagas para internação compulsória no Rio.

"A lógica é higienista e excludente", diz a psicóloga Alice De Marchi, uma das autoras do relatório do CRP-RJ. Após visita aos quatro abrigos da zona oeste, o órgão denunciou "encarceramento e uso descontrolado de medicamentos". As unidades são geridas pela ONG Casa Espírita Tesloo, que já recebeu R$ 67 milhões da gestão de Eduardo Paes (PMDB), segundo o texto.

A supervisora dos abrigos, Sabrina Fonseca, insinuou que o relatório foi influenciado por questões políticas, pois teve participação da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, presidida pelo deputado Marcelo Freixo (PSOL), que foi candidato a prefeito. "Se o seu filho tiver febre você vai perguntar se ele quer ir ao médico ou vai levar? A teoria é linda, mas a prática é muito diferente", disse Sabrina.

Para a coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Defensoria Pública, Eufrásia Souza, o Rio não tem local adequado para tratar dependentes. "Eles voltam para a mesma situação."

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