Vida nova para o Largo do Boticário

Área histórica, ao lado do Corcovado, pode virar uma pousada ou uma fundação; herdeiros discutem propostas

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

O Largo do Boticário, um dos mais antigos e importantes do Rio, pode recuperar o glamour do tempo em que era moradia do casal Paulo e Sylvia Bittencourt, donos do jornal Correio da Manhã. Ponto turístico abandonado, junto ao trenzinho do Corcovado, no Cosme Velho, zona sul do Rio, as casas do largo têm sofrido com a deterioração do tempo e até invasão por sem-teto. Agora, o local pode ser transformado em pousada ou numa fundação. Os herdeiros da família Bittencourt estão na reta final das negociações com uma rede hoteleira portuguesa e com uma fundação, não divulgada. Os estudos de viabilidade estão a cargo de Elizabeth de Portzamparc, arquiteta carioca radicada na França desde 1970, que tem no currículo, entre outros projetos, o design do mobiliário urbano do metrô de superfície de Bordeaux. A família é dona de oito casas do largo. Cinco delas estão sendo negociadas - as que compõem a famosa fachada do largo e uma que fica à esquerda, que não pode ser vista de fora. "Gosto de trabalhar num diálogo entre elementos contemporâneos e o patrimônio. O largo é bastante delicado. Estudei muito para fazer extensão atrás, no jardim, mas que desde a Rua Cosme Velho não fosse possível ver nada do que ocorre nos fundos, sem interferir nas fachadas, que são tombadas", disse Elizabeth. Ela espera a definição do comprador para desenvolver o projeto. A pousada terá restaurantes, quartos e lojas. Se a opção for pela fundação, será necessário construir escritórios, auditório e área de exposição. A idéia de Elizabeth também é recuperar o entorno do largo. A arquiteta propõe que um ponto final de ônibus seja transferido para o viaduto do Túnel Rebouças. "Essa pracinha na frente do Corcovado, por enquanto, é um horror. Vamos trabalhar com a prefeitura do Rio para renovar aquela praça. É um lugar simbólico para o Rio, a chegada do Corcovado, um cartão de visita para a cidade", comentou a arquiteta, que propõe preservar a entrada do largo. A proposta é criar o acesso por dentro de uma das casas. CIRCUITO Elizabeth defende ainda a integração do largo num circuito de centros culturais e pontos turísticos. Além da estação de trem que leva ao Cristo Redentor, são vizinhos do Largo do Boticário o Museu de Arte Naïf, o Casarão Austregésilo de Athayde - onde viveu o jornalista e imortal e que abriu no último fim de semana como centro cultural - e a Casa dos Abacaxis, freqüentada por personalidades como Gilberto Freyre, Carlos Drummond de Andrade, Vivian Leigh e Franco Zeffirelli, na época em que ali morava o casal Anna Amelia e Marcos Carneiro de Mendonça. "É importante ressaltar a importância do largo. Ali é o único ponto da cidade em que o Rio Carioca está descoberto", lembra Elizabeth.

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