Vida útil de Cumbica está vencida, diz técnico da Infraero à CPI

Superintendente da estatal afirma que aeroporto precisa de um novo terminal e não de uma terceira pista

João Domingos, do Estadão,

31 Julho 2007 | 13h30

O Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica), em Guarulhos, está "no limite", segundo afirmou à CPI o superintendente de Empreendimentos de Engenharia da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Armando Schneider Filho. Schneider considerou, ainda, que Cumbica precisa de um novo terminal, e não de uma terceira pista, afirmou nesta terça-feira, 31, em depoimento à CPI do Apagão Aéreo.  Congonhas reabriu sem atestado, diz Schneider CPI analisa transcrições da caixa-preta  CPI recebe diálogos de controladores e pilotos  Pereira vai à CPI após confirmação de saída Procon multa a Gol em R$ 672 mil  TAM restringe pousos com reverso pinado  ENQUETE: qual a pior frase da crise aérea?    Atualmente, segundo Schneider, as duas pistas de Cumbica garantem o recebimento de 17 milhões de pessoas por ano. Com mais um terminal, o aeroporto passaria a ter capacidade para 29 milhões, volume que seria suportado pelas duas pistas, segundo ele.  Para Schneider, a construção de uma terceira pista - como pretende o governo federal - será necessária quando o aeroporto tiver um quarto terminal. O superintendente da Infraero, no entanto, acha que haverá problemas para a construção de uma terceira pista em Cumbica, como, por exemplo, o fato de 7 mil pessoas morarem no entorno do aeroporto. Emocionado, Schneider reclamou de "especialistas de plantão" que, segundo ele, fizeram um prejulgamento sobre o acidente com o vôo 3054 da TAM. Essas pessoas, disse o superintendente, sem mencionar nomes, ficam "julgando e condenando antes do resultado das investigações." "No limite" Em relação à pista de Cumbica, Schneider afirmou que a pista está "no limite", já que a vida útil de uma pista é de 15 anos. O superintendente da Infraero explicou que a pista está com a capa asfáltica deteriorada, mas que a estrutura da pista se encontra em boas condições, segundo estudos realizados pela Infraero. Apesar de considerar que a vida útil da pista está vencida, ele afirmou que pousos e decolagens não são prejudicados, mas reconheceu que é necessário fazer uma nova cobertura asfáltica. "O que me preocupa é a estação chuvosa que vem por aí. A pista está operando em segurança, em condição seca", observou.  Schneider explicou que as obras de reparo em Cumbica, cuja pista tem 3.700 metros de extensão, deveriam ter começado no dia 23 de julho. O superintendente da Infraero explicou que a obra de recuperação está contratada desde 2003, mas que ainda não foi executada porque, segundo ele, "não se pode fazer tudo de uma vez, e foram elegendo as principais necessidades". Ele lembrou que com a interdição da pista de Congonhas, após o acidente com o vôo 3054, a Infraero teve que manter em funcionamento a de Cumbica para que a demanda de vôos fosse atendida. Ainda sobre sua responsabilidade na liberação de Congonhas, Schneider relatou que, antes da tentativa de pouso do Airbus que se acidentou no dia 17 de julho, fez uma vistoria visual na pista de Congonhas, de ponta a ponta, junto com dois coronéis da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).  Na vistoria, eles constataram que a pista tinha condições de uso. O superintendente afirmou que, em Congonhas, não houve aquaplanagem nem na tentativa de pouso do Airbus nem na aterrissagem de um avião da Pantanal, um dia antes. Texto alterado às 16h10 para acréscimo de informações.

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