Vídeo envolve governador de MS em fraudes

Primeiro-secretário diz que a Assembleia Legislativa repassava R$ 2 milhões para André Puccinelli

João Naves de Oliveira ESPECIAL PARA O ESTADO / CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

O esquema de corrupção envolvendo a Câmara Municipal e a prefeitura de Dourados (MS), desmantelado pela Polícia Federal com a Operação Uragano, no dia 1.º, ganhou proporções inesperadas. Vídeo divulgado na internet mostra o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Ary Rigo, 63 anos, acusando o governador André Puccinelli (PMDB), um desembargador e um ex-procurador do Ministério Público como integrantes do esquema.

Imagens e diálogos, provavelmente gravados pelo ex-secretário de Governo Leandro Passaia, da prefeitura de Dourados - que denunciou o esquema à PF -, mostram o parlamentar dizendo que a Assembleia repassava R$ 2 milhões para Puccinelli: "O dinheiro servia para "trancar" processos contra o governador", com pagamento de propinas para desembargadores e membros do Ministério Público Estadual. Procurada, a assessoria de Puccinelli não quis comentar o assunto.

No vídeo, Ari Rigo diz ainda que o prefeito de Dourados, Ari Artuzi, apontado pela PF como chefe do esquema de corrupção na cidade, foi "protegido" pelo desembargador Claudionor Abss Duarte. O magistrado informou que vai processar Rigo. As acusações atingem também o ex-procurador do Ministério Público Estadual Miguel Vieira, que teria recebido dinheiro para "proteger" Artuzi, que está preso em Campo Grande.

Rigo também afirma que existem várias autoridades envolvidas no esquema e lamenta a vigência da lei da transparência, que limitou as propinas. "Antes da lei, o pessoal saía com R$ 120 mil, agora a coisa está feia, levam no máximo R$ 42 mil."

Apuração. O procurador-geral de Justiça do Estado, Paulo Alberto de Oliveira, distribuiu nota informando que determinou imediata investigação sobre a divulgação do vídeo. "O MPE de Mato Grosso do Sul reafirma seu compromisso com a sociedade, buscando uma célere e eficaz apuração dos graves fatos veiculados, no intuito de cumprir sua missão constitucional", disse Oliveira. A OAB-MS também expediu comunicado. "Os fatos relatados no vídeo que circula na internet devem ser esclarecidos pelo bem da sociedade sul-mato-grossense", disse o vice-presidente da OAB/MS, Júlio César Souza Rodrigues.

O escândalo gerado pelas denúncias de Leandro Passaia resultou na prisão do prefeito de Dourados, do vice-prefeito, de cinco secretários da prefeitura e 9 dos 12 vereadores, incluindo o presidente da Câmara Municipal. No total, 60 pessoas foram denunciadas à Justiça como integrantes do esquema.

Apuração

PAULO ALBERTO DE OLIVEIRA

PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MS

"O Ministério Público busca uma célere e eficaz apuração dos fatos"

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