Vídeo flagra monitores incitando rebelião na Febem

A suspeita do Ministério Público Estadual (MPE) de que monitores da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) incitam rebeliões dos adolescentes foi registrada nas imagens do circuito interno de TV da Unidade 31 do complexo de Franco da Rocha, na Grande São Paulo.Promotores de Justiça da Infância e Juventude localizaram nas imagens o momento exato em que dois funcionários destrancam a porta de uma das celas, pouco depois de uma rebelião ter sido contida, na noite do dia 12.As imagens serão usadas na investigação do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que apura a existência de um esquema mantido por funcionários da Febem que incentivam os motins. Além de manter o sistema em constante instabilidade, eles ganham horas extras.A câmera do circuito interno está colocada no alto do muro da unidade. As imagens mostram que às 19h54 teve início uma rebelião. Os adolescentes são contidos por diversos funcionários, que usaram até cadeiras para obrigar os internos a voltar para a cela, onde são trancados.Às 19h56min11s, a imagem congelada mostra dois monitores parados na porta da cela, com os braços na cintura. Um deles olha para o lado como se quisesse ter certeza que não há ninguém espiando. Quinze segundos depois, os dois se afastam da porta e, às 19h56min18s, começam a correr.A porta da cela possui fechadura apenas do lado de fora, o que faz os promotores suspeitarem de que os monitores destrancaram a cela e deixaram a chave na fechadura. "As chaves são genéricas e abrem todas as celas", disse o promotor Enilson David Komono.Às 19h56min21s, os adolescentes abrem a porta do xadrez. Um deles corre, abre a porta das outras duas celas e liberta os demais adolescentes. O motim só foi controlado durante a madrugada do dia 13, com a chegada da Tropa de Choque da Polícia Militar. Antes disso, os internos queimaram colchões e subiram no telhado.Para o promotor Ebenezer Salgado Soares, as imagens comprovam que funcionários da Febem incitam motins. "São criminosos vestidos com o poder oficial", disse. Os monitores que aparecem nas imagens não foram identificados.Nesta segunda-feira, o Estado conversou com um interno de Franco da Rocha - unidade que será desativada. Z., de 17 anos, confirmou que monitores incentivam as fugas. "Muitas vezes, eles põe (sic) a chave pra dentro (da cela)", disse o interno. Ainda segundo Z., funcionários entregam celulares e drogas para alguns dos internos, em troca de acordos. A prática - antiga no sistema - é conhecida como "acordo de bandido".A Febem informou que as fitas foram cedidas ao MPE pela própria instituição, que vem apoiando a apuração. Uma sindicância administrativa, que será encerrada no dia 10 de março, foi instaurada pela Febem no dia seguinte ao motim.

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